Artistas LGBTs+ do Brasil todo estão participando da Queerentena. Trata-se do nome dado à recém-lançada exposição virtual do Museu da Diversidade Sexual, em São Paulo. As obras retratam o momento da pandemia do coronavírus no País e servem para avaliar o isolamento imposto pelo surto da Covid-19 sob outros ângulos.
Até agora, a exposição conta com 30 obras, entre fotos e vídeos, que mostram como artistas LGBTI+ se veem na quarentena. Entre elas, está a de um capixaba.
Em "Pandemia, Março 2020", Rick Rodrigues, de 31 anos, usou de sua marca registrada na arte para ilustrar um pouco do sentimento da quarentena, como explica ao Divirta-se. "Meu trabalho foi bordado em máscaras descartáveis. Fiz uma série, que não está fechada, e três (máscaras) desta série estão na exposição", fala.
Ele, que atualmente é famoso por bordados em peças inusitadas, já aplicou a técnica em sacolas plásticas, caixas de remédios e em caixas de papelão para criar diálogo entre a mensagem da obra e o contexto, como é o caso de "Queerentena". "As máscaras viraram símbolo nesse momento. Sempre tento buscar um suporte como mensagem, tirar o bordado do lugar comum. E acontece de forma intuitiva", detalha.
"Hoje meu trabalho mais conhecido é o bordado. Mas trabalho com várias linguagens. Me considero um artista multimídia"
Sua participação na exposição do Museu da Diversidade, que está no ar desde o último dia 25 e não tem data para acabar, traz três das máscaras que Rick já bordou enquanto esteve em quarentena para se proteger do coronavírus. Na série completa, mais de 10 peças já estão prontas desde março, quando começaram a ser criadas.
"Assim como nas que estão na exposição, as outras máscaras fazem críticas políticas ao momento que estamos vivendo e também promovem reflexão pelo afastamento social", fala.
3.785 PESSOAS
É O NÚMERO DE VISITANTES VIRTUAIS QUE A EXPOSIÇÃO RECEBEU NA SEMANA EM QUE FOI ABERTA NA WEB
Em Pandemia, o artista selecionou duas máscaras inspiradas em "A Criação de Adão", afresco de Michelangelo, e uma terceira peça que mostra a frase "Deus abençoe nossa pátria querida". Elas, respectivamente, simbolizam o afastamento social das pessoas por meio do toque sensível de dois dedos e fazem crítica política ao tratamento com a pandemia.