Do campo para as telas, o eterno país do futebol começa a se enxergar também por outras lentes, mais amplas e com menos estigmas. As importantes premiações recentes do cinema brasileiro, com "Ainda Estou Aqui" no ano passado e "O Agente Secreto" neste início de 2026, apontam para um posicionamento de destaque do audiovisual brasileiro no cenário internacional. É a oportunidade de edificar a imagem de qualidade de nossas produções lá fora e de consolidar uma indústria aqui dentro.
Wagner Moura é o rosto da vez, chamando a atenção do público nos Estados Unidos por sua atuação impecável no filme de Kleber Mendonça Filho. As estatuetas de Melhor Ator e Melhor Filme de Língua Estrangeira no Globo de Ouro são mais um degrau, iniciado ainda no Festival de Cannes do ano passado, rumo ao Oscar.
Mas independentemente de como será o desempenho do filme na maior premiação do cinema, o Brasil está fazendo história. Uma história que tem um passado, com produções que chegaram longe, como "O Pagador de Promessas", nos anos 60, ou "Central do Brasil", nos anos 90, mas com muitos altos e baixos.
A nova onda de reconhecimento internacional precisa ser canalizada para um olhar mais carinhoso para o cinema como indutor da economia: há toda uma cadeia que gera empregos e traz retornos financeiros para o país. Não se desperdiça dinheiro quando se investe em cultura; e o cinema é uma das maiores ferramentas de soft power, ao fortalecer a imagem de um país para todo o mundo. A Coreia do Sul, com seu cinema, seus doramas e seu K-Pop, é um exemplo de como um país pode ser uma referência internacional em cultura e ganhar muito com isso.
O Brasil está na moda. Na safra de 2025, ainda temos duas produções bastante premiadas internacionalmente: "O Último Azul", de Gabriel Mascaro, levou o Urso de Prata no Festival de Berlim, e "Manas", de Mariana Brennand, levou mais de 20 prêmios pelo mundo e acaba de ser indicado a Melhor Filme Ibero-Americano no Prêmios Goya, da Espanha. E há muita gente boa trabalhando com afinco e merecendo cair nas graças do público.
Foi bonito ver o diretor Kleber Mendonça Filho dedicando o prêmio aos jovens cineastas. "Façam filmes!", convocou. É isso que o Brasil espera. "O Agente Secreto" é um filme que exalta a memória coletiva, nos últimos atos da ditadura militar, com pinceladas bastante pessoais. Uma memória que precisa continuar sendo construída por novas gerações, justamente o que Kleber Mendonça se propôs a fazer nesta obra.
O Brasil já é o país do cinema, com todos o vento a favor. Mas não pode desperdiçar as oportunidades de, com todo o hype, se firmar como uma referência perene. A qualidade é inegável, o público está comparecendo, os prêmios chegando. O Brasil que se enxerga nas telas é certamente um Brasil com potencial de ser um país cada vez melhor para os brasileiros.
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