Uma reportagem da TV Gazeta mostrou um absurdo que se repete ano após ano: os números expressivos de chamados falsos aos serviços emergenciais. No Espírito Santo, em 2025, foram mais de 200 mil trotes recebidos pelo Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes), que direciona as ocorrências para Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal e Corpo de Bombeiros, e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), essencial para salvar vidas em emergências de saúde.
Uma brincadeira sem graça que representa, em média, 560 ligações por dia. E não precisa de muito esforço para entender o tamanho do problema: se uma equipe se desloca para um atendimento que não existe, ela pode estar deixando de atender quem de fato precisa. Em média, oito profissionais são mobilizados em um atendimento com ambulância no Samu.
O ano é 2026 e é difícil de acreditar que essa prática ainda persista. Uma lei, aprovada em 2024 no Espírito Santo, determinou uma multa na época em torno de R$ 2,3 mil para os proprietários de linhas telefônicas com registros de ligações falsas para o serviço público. Também previa apuração no caso de ligações recorrentes em telefones públicos. É fundamental saber se em 2025 essa multa foi devidamente aplicada, para poder de fato começar a provocar uma mudança de comportamento.
Porque é inadmissível que um serviço como o Samu, criado há pouco mais de 20 anos no Brasil, seja tão impactado por quem não tem o que fazer. Entre 2019 e 2023, 15% do total das chamadas no Estado foram falsas. Não há explicação racional para que o serviço continue sendo acionado por pessoas de má-fé, atrapalhando o trabalho de profissionais que já precisam lidar com uma carga pesada diariamente.
Trote não tem graça nenhuma. E custa dinheiro público que poderia tornar esses mesmos serviços ainda mais eficientes para a população.
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