A notícia no início do ano tem sido a mesma desde 2020: chega janeiro e com ele mais uma queda histórica e contínua no número de homicídios no Espírito Santo. Na década passada a notícia também persistia, mas houve a interrupção provocada pela crise de segurança de 2017. Um ponto fora da curva que não mudou o curso desse rio.
Eis que, em 2025, pela primeira vez em 30 anos de registros, foram menos de 800 homicídios dolosos, com intenção de matar. Um número que causa impacto, em um estado no qual essa estatística chegou a mais de 2 mil em 2009. É mais um obstáculo em superação, rumo à estabilidade social. Atualmente, a taxa de homicídios no Espírito Santo está em 19/100 mil habitantes, mas chegou a 58/100 mil naquele ano.
Se o ritmo de redução for mantido, a expectativa dos estudiosos é de que o Estado chegue à taxa de 10 homicídios por 100 mil habitantes em 2030. A média global fica em torno de 5,8 por 100 mil habitantes. Ou seja, o desafio da pacificação continuará existindo, mas o que se atingiu até aqui mostra que não se deve pensar pequeno: é perfeitamente possível atingir estatísticas que coloquem o Espírito Santo em um patamar de segurança pública jamais imaginado há alguns anos.
O que não pode faltar é comprometimento. Se chegamos até aqui, é porque a redução dos homicídios foi tratada como política de Estado, com continuidade. Isso vale também para os municípios, que também registram avanços.
O poder público, em todas as esferas, precisa se fazer presente nas áreas mais vulnerabilizadas, onde fações tentam impor seu poder. Não pode haver vácuos, a população precisa ter acesso a escolas, postos de saúde equipados, comércio, áreas de lazer, enfim, a tudo que traz dignidade.
Mas, ao mesmo tempo, não pode faltar o aparelhamento da segurança pública: é uma excelente notícia, por exemplo, que o governo tenha anunciado a estruturação da carreira da Polícia Científica, essencial para investigar e solucionar os crimes contra a vida. É com investigação que se pune e se reprime a violência. É assim que a notícia mais esperada do início do ano vai continuar se repetindo.
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