Ferrovia em Aracruz precisa ter segurança operacional garantida

Apenas dois dias após serem retirados do ramal Piraqueaçu, onde ficaram mais de 70 dias, indígenas voltaram a bloquear a ferrovia

Publicado em 14/01/2026 às 01h00
Ramal Piraqueaçu, da Estrada de Ferro Vitória-Minas, está fechado desde o dia 22 de outubro
Ramal Piraqueaçu, da Estrada de Ferro Vitória-Minas, durante a interdição que teve início em 22 de outubro do ano passado e foi encerrada no último dia 6. Crédito: A Gazeta/Arquivo

Justiça Federal de Linhares já determinou novamente a liberação do Ramal Piraqueaçu, que conecta a Estrada de Ferro Vitória-Minas aos portos de Aracruz. Por mais absurdo que pareça, os indígenas que interditaram a ferrovia por 76 dias voltaram a bloqueá-la apenas dois dias após terem sido retirados de lá pela Polícia Federal, sem registros de confronto.

Tão importante quanto a retirada é garantir que esses bloqueios parem de se repetir. O ramal é fundamental para o transporte de cargas no Espírito Santo e não pode permanecer vulnerável, sujeito à chantagem, sendo constantemente fechado em protestos. Na decisão, o juiz também determinou que os manifestantes se mantenham a uma distância mínima de 15 metros da ferrovia, para evitar novas obstruções.

A Justiça também autorizou que a Vale, concessionária da ferrovia, monitore o local permanentemente, com recursos presenciais ou eletrônicos, para garantir o tráfego pela região. Em caso de descumprimento pelos indígenas, a Vale deve acionar a Polícia Federal imediatamente. 

Essas medidas são um primeiro passo para garantir segurança operacional e jurídica na ferrovia. Mesmo que as reivindicações dos indígenas em relação à tragédia de Mariana devam ser colocadas na mesa, é preciso encontrar outro caminho para a mediação desse conflito, sem interferir em um eixo que vai garantir o desenvolvimento de uma região que almeja se consolidar como um hub logístico. 

É em Aracruz, na região de Barra do Riacho, e nos municípios vizinhos que estão sendo celebrados investimentos para potencializar o setor: a ZPE (Zona de Processamento de Exportação) e o Parklog. Os constantes bloqueios na única ferrovia que liga a região ao resto do país têm um impacto na competitividade e podem simplesmente tirar o Espírito Santo de um jogo que está praticamente ganho.

Com benefícios que vão além da economia, melhorando a vida das pessoas com mais empregos e qualificação. Há muito mais em jogo do que os interesses de uma empresa.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.