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Dias após liberação, indígenas voltam a bloquear ferrovia no Norte do ES

O Ramal Piraqueaçu, em Aracruz, que liga a Estrada de Ferro Vitória-Minas aos portos da região, já tinha ficado fechado por 76 dias, desde outubro

Vitória
Publicado em 13/01/2026 às 03h00
Polícia Militar realiza reintegração de posse de ramal da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), em Aracruz, que estava bloqueada por grupos indígenas
Polícia Militar realiza reintegração de posse de ramal da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), em Aracruz. Crédito: Leitor AG

Indígenas voltaram a interditar o Ramal Piraqueaçu, da Estrada de Ferro Vitória-Minas, em Aracruz, Norte do Espírito Santo. A estrutura faz a ligação da Vitória-Minas, única ferrovia em operação no Estado, com Barra do Riacho, onde ficam os portos da região. Os manifestantes tornaram a fechar a via dias depois de terem sido retirados de lá pela polícia, na última terça-feira (06), que cumpriu uma decisão da Justiça Federal a pedido da Vale, que é a responsável pela Vitória-Minas.

Os indígenas, que reclamam do acordo de reparação do rompimento das barragens da Samarco, fechado por Vale, BHP (donas da Samarco), governo federal e demais entes públicos, em outubro de 2024, bloquearam o ramal entre 22 de outubro e a última terça-feira - 76 dias, portanto. Após a intervenção policial, a via ficou liberada por dois dias, mas voltou a ser fechada na última sexta-feira (09).

Questionada sobre a situação, a Vale enviou a seguinte nota: "a Vale está adotando as medidas cabíveis para restabelecer a operação do Ramal Aracruz novamente ocupada por comunidades indígenas de forma ilegal. Cabe destacar que os acordos relacionados ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), vêm sendo integralmente executados e cumpridos pela Samarco".

Barra do Riacho abriga Portocel, Porto da Imetame e uma área a ser desenvolvida pela Vports. Portanto, trata-se de um hub portuário já consolidado e que vai crescer muito mais ao longo da próxima década. A operação da Imetame, que será inaugurada em meados de 2026, conseguirá receber navios de grande porte (calado de mais de 18 metros) movimentando todo o tipo de carga.

Se o ramal ferroviário não tiver segurança operacional, o projeto do Espírito Santo como plataforma logística do Brasil estará sob grave ameaça.

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