Correção
13 de Dezembro de 2025 às 13:13
Versão anterior deste texto trazia informação errada sobre a participação da Aldeia Córrego do Ouro na interdição do ramal Piraqueaçu. A Associação Indígena Tupiniquim de Comboios entrou em contato com a Redação pedindo a correção: "Em nome do Território Indígena de Comboios e da Aldeia Córrego do Ouro, é com imensa indignação que venho através deste reportar erro dessa redação. E deixar claro aqui para os senhores e senhoras que o Território Indígena Tupiniquim de Comboios, ao qual a Aldeia Córrego do Ouro faz parte, foi invadido por manifestantes das aldeias do Território Tupiniquim/Guarani e Caieiras Velha 2, onde permanecem interditando o ramal ferroviário até a data de hoje. Informamos que a TI Comboios e a Aldeia Córrego do Ouro não aderiram nem compactuam de forma nenhuma com a manifestação na ferrovia, e as empresas Vale, Samarco, Suzano, Imetame e as outras empresas da região estão cientes, Associação de Empresários de Aracruz e a PMA, foram informadas através de nota de esclarecimento enviada via e-mail."
Com o ramal Piraqueaçu, que liga a Estrada de Ferro Vitória-Minas aos portos de Aracruz, interditado por um grupo de indígenas há mais de 50 dias, está exposta a vulnerabilidade desse importante eixo logístico para o Espírito Santo. E isso no momento em que estão sendo celebrados investimentos que vão potencializar o setor na região de Barra do Riacho: a ZPE (Zona de Processamento de Exportação) e o Parklog.
Sem segurança jurídica, a competitividade fica insustentável. A economia capixaba perde, a população também. É inadmissível que um grupo de indígenas, mesmo que as reivindicações em relação à tragédia de Mariana sejam válidas, consiga parar por tanto tempo uma ferrovia fundamental para o transporte de cargas para os portos de Aracruz.
É simplesmente o modal preferencial de carga, com os impactos já superando os R$ 200 milhões, de acordo com o setor empresarial, que está trabalhando em modo contingencial desde então.
E, o pior, sem que qualquer mobilização estatal e empresarial tenha sido capaz de acabar com o impasse até agora. Em outubro, a própria Vale, autora da ação de reintegração de posse decidida em seu favor na Justiça Federal, mudou de postura e fez o pedido de suspensão da decisão para "viabilizar o diálogo nesse período, comprometendo-se a informar a este Juízo, em até 15 dias, sobre o êxito ou não das negociações para desocupação voluntária da linha férrea". Nada mudou, desde então.
Nesta quinta-feira (11), o governador Renato Casagrande acionou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, pedindo providências sobre o caso. A promessa é de que uma equipe de Brasília virá ao Estado para resolver o problema. Estamos aguardando.
O impasse atual ganha destaque por estar se prolongando por tempo demais, mas o fato é que o ramal que carrega tanta relevância para o transporte de cargas no Estado não pode permanecer sujeito à chantagem, sendo constantemente fechado em protestos, sem algum nível de garantia jurídica para que o ambiente de negócios não seja afetado. O que não pode ocorrer é tanta morosidade de quem deveria estar agindo faz tempo para solucionar esse grave problema.
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