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Feriado chega com alerta: responsabilidade de frear pandemia é coletiva

Fiscalização dos órgãos públicos é importante, mas o essencial é a adesão da população ao autocuidado para impedir uma nova crescente nas infecções e nos óbitos

Publicado em 03/06/2021 às 02h00
Em março, capixabas furaram quarentena e lotaram praias na Grande Vitória
Em março, capixabas furaram quarentena e lotaram praias na Grande Vitória. Crédito: Fernando Madeira

Maio chegou ao fim como o terceiro mais letal da pandemia no Brasil e o segundo pior mês no Espírito Santo, com o registro de 1.274 mortes causadas pela Covid-19. É como se 41 pessoas tivessem perdido a batalha para a doença por dia no Estado. Este mês de junho inicia-se com um feriado e, pelas experiências anteriores do país com recessos, começa também com um alerta: é preciso cuidado de órgãos públicos e cidadãos para impedir uma nova crescente nos casos e nos óbitos. A responsabilidade é coletiva.

Erros devem servir de lição. Na última data festiva do país, o Dia das Mães, a média móvel de casos no Brasil era de 61.411 infecções por dia. Duas semanas depois, havia subido para 66.195. No ano-novo, com mais circulação de pessoas, a aceleração do contágio foi ainda pior, registrando um salto de 36.004 em 31 de dezembro para 51.803 em 14 de janeiro na média móvel de diagnósticos positivos, um aumento de mais de 40%.

Algumas prefeituras capixabas já anunciaram medidas para uma explosão de casos após o Corpus Christi. Conceição da Barra, no Norte do Espírito Santo, determinou o fechamento de praias, rios e lagos da cidade já a partir desta quinta-feira (3). Esses pontos, que atraem turistas e visitantes locais, estão barrados até que o município saia do risco alto. Na Grande Vitória, a promessa é de endurecimento da fiscalização para coibir aglomerações e festas clandestinas, além do descumprimento de regras em bares e restaurantes. Outras cidades, como Guarapari, anunciaram a instalação de barreiras sanitárias durante o período de recesso.

Ações mitigatórias como essas demandam um grande esforço. Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, agentes do Procon e da Vigilância Sanitária, além das equipes das prefeituras, o que inclui guardas civis e fiscais de Posturas e Meio Ambiente, são mobilizados para investigar desvios e zelar pela saúde coletiva. Um esforço que nem seria necessário se cada cidadão adotasse cuidados individuais. Festas clandestinas e aglomerações não ocorrem pela mera falta de fiscalização, mas porque, em cada uma delas, centenas de pessoas tomaram a decisão de se expor ao risco de contágio.

A ameaça é ainda maior devido à baixa cobertura vacinal no Brasil, acentuada com a distribuição de vacinas aquém das quantidades previamente planejadas, que gerou desabastecimento em vários Estados. Apenas 13,9% da população recebeu a segunda dose, indispensável para a proteção contra o vírus. Apesar da aceleração na aplicação de doses nas últimas semanas, que colocou o Espírito Santo no topo do ranking de Estados que mais progrediram na imunização, a cobertura vacinal capixaba é apenas levemente maior do que a média nacional, com 14%.

Mesmo que a vacinação estivesse mais avançada, o mantra da ciência de que distanciamento social e uso de máscaras salvam vidas deve ecoar, nos próximos dias e por um tempo ainda. A fiscalização dos órgãos públicos é importante, mas o essencial é a adesão da população ao autocuidado. A fadiga pandêmica é um fato, as pessoas estão cansadas do isolamento e de medidas profiláticas, mas não é hora de relaxar.

Com consciência e cautela, como dar preferência a passeios ao ar livre ao invés de frequentar ambientes fechados, sem nunca abandonar máscaras e álcool em gel, é possível curtir dias de descanso com a família. O lazer não pode servir de impulso a uma terceira onda — ou novo repique da pandemia, como preferem os especialistas, que defendem que o Brasil nunca saiu de um longo tsunami. Barrar a cadeia de contágio depende de que cada um quebre o elo que leva a tantas mortes e tragédias.

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