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Opinião da Gazeta

Consultas no Himaba: quando só uma promessa cumprida não resolve o problema

Se houve o acréscimo prometido de consultas com especialistas, ele não está sendo capaz de suprir a demanda, já que pais e mães reclamam que não há vagas até o fim do ano

Publicado em 25 de Abril de 2023 às 01:00

Públicado em 

25 abr 2023 às 01:00

Colunista

Himaba
Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves, (Himaba) Crédito: Fernando Madeira
Quando, no início de fevereiro, pais e mães chegaram a dormir no chão do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba) para conseguirem marcar consultas com especialistas, pelo menos duas promessas foram feitas. Uma delas foi cumprida, mas de pouco tem adiantado diante do fato de a outra ainda estar pendente.
A primeira crítica feita aqui mesmo neste espaço foi como, em pleno século 21, com todo o avanço das tecnologias digitais e a permanência do bom e velho telefone, o Himaba obrigava a presença física de familiares para a marcação de consultas. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) providenciou um número telefônico com cinco telefonistas, o que não eliminou os gargalos, com uma espera na linha que em alguns casos passava de uma hora, conforme registrou o ES 1, da TV Gazeta.
Desde o último dia 19, foi disponibilizado um número 0800 que, além da gratuidade, ampliava o atendimento de  50 para 200 ligações simultâneas. Um passo importante para dispensar os deslocamentos ao hospital somente para agendar uma consulta. A questão passou a ter a ver com a segunda promessa: e as consultas?
Em meio ao escandaloso registro de uma mãe dormindo com os filhos no chão para garantir atendimento no dia seguinte, a Sesa anunciou a ampliação de 300 para 900 consultas no prazo de 60 dias. No dia 12 de abril, mais de dois meses após aquela crise localizada de saúde pública, já com a marcação por telefone em vigor, o ES 1 fez o registro de mães que não conseguiram uma data para o atendimento de neuropediatria
A dona de casa Maria Aparecida do Nascimento contou que desde 2018 tentava uma consulta para o filho. Em 18 de março, ela conseguiu o atendimento, mas desde então tenta, sem sucesso, agendar o retorno, que deve ser em quatro meses. Ao ligar para o Himaba, recebeu a notícia de que agenda está fechada até dezembro. Também recebeu a informação de que deveria entrar em contato na segunda semana de maio para saber se haverá uma agenda extra.
Se houve o acréscimo prometido de consultas, ele não está sendo capaz de suprir a demanda, já que não há vagas até o fim do ano. Famílias com crianças que têm necessidade de acompanhamento neurológico contínuo precisam ter a segurança de que vão receber atendimento permanente e regular,  um desafio inquestionável de saúde pública.
Um exemplo é o tratamento do autismo. O dado mais recente de prevalência realizado pelo  CDC (Centro de Controle de Prevenção e Doenças) dos Estados Unidos aponta que uma em cada 36 crianças  com 8 anos de idade são autistas no país. Um número que cresce a cada ano: em 2004 ele era de uma criança a cada 150. Não há esses números de prevalência no Brasil, mas eles dão uma boa dimensão do cenário atual do autismo. Mais casos significam mais necessidade de acompanhamento multidisciplinar.
A leitura desse contexto deve pautar as políticas públicas de saúde: as cenas de desespero no Himaba, agora transformadas na angústia diante de uma ligação telefônica sem resultados, apontam para uma carência no atendimento especializado que precisa mobilizar a gestão do setor, em todos os níveis. A tendência é mais gente precisando de acompanhamento, o poder público não pode se omitir.

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