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Como é possível viver com bomba na rua e tiros em escola?

Andorinhas, que tem sido o epicentro da violência em Vitória, foi cenário da detonação de uma granada caseira pelo esquadrão antibombas e teve escola novamente na mira de tiros nesta semana

Publicado em 17/09/2021 às 02h00
Andorinhas
Esquadrão antibomba da Polícia Militar foi acionado para detonar granada artesanal no bairro Andorinhas, em Vitória. No interior do artefato haviam pregos e outros objetos perfurantes. Crédito: Fernando Madeira

Uma granada de fabricação caseira foi detonada, em segurança, pelo esquadrão antibombas da Polícia Militar na tarde desta quarta-feira (15), não sem antes aterrorizar os moradores de Andorinhas, bairro de Vitória que, ao lado de Itararé, tornou-se uma zona de conflito recorrente na dinâmica da criminalidade que se espalha pelas regiões do Bairro da Penha e da Grande São Pedro. Nesta quinta-feira (16), também foi divulgado que um artefato explosivo foi lançado na véspera contra policiais militares durante a prisão, em Itararé, de um homem de 28 anos apontado como gerente do tráfico de drogas do Morro do Macaco, em Vitória. Não houve vítimas.

A agonia de quem mora nesses bairros, após o incidente que manteve uma rua isolada em Andorinhas, transbordou em indignação no início da noite, quando moradores se reuniram em uma manifestação na saída da Ponte da Passagem, no início da Reta da Penha. Repetiram um ato realizado, em menor escala, pelos moradores de Nova Palestina na Rodovia Serafim Derenzi, também em Vitória, na manhã de segunda-feira (13). Duas demonstrações de que os vizinhos do tráfico não aguentam mais viver sob o domínio de medo, impossibilitados de levarem a vida com tranquilidade.

Nessa rotina de terror, um local importante de Andorinhas tem sido cenário recorrente: a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Izaura Marques da Silva. O artefato foi encontrado nesta quarta em uma rua ao lado do colégio, que na véspera já tinha sido alvo de disparos durante um tiroteio, quando pelo menos 70 estudantes estavam no prédio. Em 23 de agosto, a mesma escola teve de suspender as aulas por causa de outro tiroteio, ocorrido pouco antes do início do turno vespertino.

É possível que crianças e adolescentes se envolvam com a educação em um ambiente cercado de hostilidade? A instabilidade emocional provocada nesses jovens durante os repetidos eventos de violência é um obstáculo a mais para aprendizagem, em um momento no qual professores e alunos ainda estão se adaptando ao ensino presencial.

É mais um drama a se somar à tragédia educacional, passando uma mensagem de pessimismo, como se não houvesse mesmo saída para essas crianças. É simplesmente inaceitável, mas é a dura realidade.

O bairro vizinho, Itararé, registrou um homem ferido durante confronto com a polícia, na véspera. O suspeito havia sido visto armado na pracinha que tem sido cenário recorrente de homicídios. Após fuga, foi encontrado, mas não se rendeu, "fazendo menção de atirar contra os policiais", segundo a PM. Como não compreender a ansiedade da população, diante da violência testemunhada dia após dia?

A reação desses moradores precisa ser ouvida pelo poder público, não podem ser gritos sem resposta. Há um sinal claro de esgotamento, de cidadãos cansados de serem reféns de uma ordem imposta por traficantes que brigam entre si. No fim da tarde desta quinta-feira (16), a Polícia Militar se posicionou em Andorinhas para garantir a segurança, após a sequência de eventos violentos desta semana. É um paliativo, não a solução, que passa por um choque de ordem de civilidade nesses bairros, com a presença efetiva do Estado. Algo que garanta que o simples ato de ir à escola não seja uma exposição ao perigo.

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