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Opinião da Gazeta

Com quanta paciência se faz uma ferrovia no ES?

Vale e governo federal não entraram em acordo sobre renegociação de concessões, o que tem impacto na construção do trecho de 80km entre Santa Leopoldina e Anchieta, a contrapartida da mineradora

Publicado em 02 de Setembro de 2025 às 01:00

Públicado em 

02 set 2025 às 01:00

Colunista

ferrovia
Ferrovia Crédito: Manfred Richter/Pixabay
Nunca é cedo demais para o questionamento feito neste título, visto que projetos de infraestrutura fundamentais para o Espírito Santo tendem a se estender a ponto de virarem uma novela.  BR 101, BR 262... exemplos não faltam, e a notícia de que o governo federal não chegou a um acordo com a Vale sobre a alteração dos contratos de concessão da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e da Estrada de Ferro Carajás (EFC) parece ser um prenúncio de muitos capítulos a mais nesse enredo.
Isso porque o compromisso firmado pela mineradora da construção do ramal de 80 quilômetros entre Santa Leopoldina e Anchieta é uma contrapartida da renovação antecipada das concessões. É daí que sairia o dinheiro, algo perto de R$ 2 bilhões. E esse será apenas o primeiro trecho de um empreendimento ainda mais grandioso e relevante para a logística capixaba, a EF 118, que vai chegar ao Rio de Janeiro.
Com esse impasse, é normal que chovam dúvidas sobre o cumprimento de cronogramas. O governador Renato Casagrande garantiu que não deve haver atraso na publicação do edital sobre o leilão. O Ministério dos Transportes também informou que o projeto da EF 118 vai caminhar mesmo sem a Vale. "Agora está avaliando, após não fechar acordo com a Vale, colocar todo o trecho da Grande Vitória até Anchieta num único edital com o restante da ferrovia até o Rio de Janeiro", afirmou o governador.
O governo estadual deverá marcar presença em Brasília para garantir o encaminhamento dos trâmites necessários e, principalmente, dos recursos. O governador foi bastante incisivo ao cobrar da Vale esse compromisso firmado em julho de 2023 no Palácio Anchieta. É uma agenda prioritária que precisa mobilizar também a bancada capixaba.
Sabe-se que não é somente esse impasse contratual que pode atrasar o andamento das obras. O histórico dos projetos de infraestrutura mostra que os licenciamentos ambientais costumam ser um entrave demorado, bem como as desapropriações necessárias para cumprir o traçado da ferrovia, que vai passar também por Cariacica, Viana, Vila Velha e Guarapari. Muita água para rolar, muito risco de burocracia pelo caminho. 
A promessa feita pela Vale em 2023 era de entregar o ramal em 2030. Não se sabe se o impasse atual vai alterar essa data. Mas, provavelmente, a sociedade capixaba vai continuar precisando de uma boa dose de paciência até lá.

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