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Opinião da Gazeta

Crise do livro didático mostra um país com prioridades erradas

Diante do crescimento do gasto público, é inconcebível que falte dinheiro para uma área que é essencial para a construção do país mais desenvolvido que almejamos ser

Publicado em 28 de Agosto de 2025 às 01:00

Públicado em 

28 ago 2025 às 01:00

Colunista

Sala de aula
Sala de aula Crédito: Shutterstock
Com o risco anunciado de os alunos do ensino básico da rede pública ficarem sem parte dos livros didáticos em 2026, o país acaba deixando estabelecidas  as suas prioridades, e a educação passa a léguas de distância. Nenhum projeto factível de nação se sustenta sem essa base.
A conta é simples. O  Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) tem um orçamento de R$ 2,04 bilhões, e a cifra necessária para a compra dos 240 milhões de exemplares planejados é de R$ 3,5 bilhões. Lembrando que o teto de despesas  em 2025 é de R$ 2,2 trilhões.
Assim, estima-se que 52 milhões de unidades não foram encomendadas até este mês de agosto, prazo necessário para que todas sejam impressas até o início do próximo ano letivo.
Os anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) são os mais afetados: foram adquiridos até agora apenas livros de português e matemática, sem contemplar as demais disciplinas. É o funcionamento da educação básica no país, a etapa que garante as bases da formação do capital humano brasileiro, que fica ameaçada quando o planejamento da educação falha por falta de verbas. E já há um histórico, desde 2022, de pendências na execução do PNLD.
O fornecimento de material didático ao ensino público é, ao lado da valorização dos professores, parte essencial da engrenagem educacional. Sem material didático de qualidade, acessível a todos os alunos, o ensino fica precarizado. Diante do crescimento do gasto público, é inconcebível que falte dinheiro para uma área que é essencial para a construção do país mais desenvolvido que almejamos ser. Falta aqui, sobra para muitos.
É nesse sentido que se bate tanto na tecla de um gasto mais racional: para que recursos sejam direcionados aos setores em que eles são de fato essenciais. É por isso que se clama por uma reforma administrativa consistente, que acabe com privilégios e desperdícios. Se organizar o Brasil direitinho, não falta livro para ninguém.

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