"Se depender de mim, você vai morrer aqui dentro. Seu pai está destruído."
O desabafo de uma mãe ao seu filho de 19 anos, em uma delegacia, deve ser absorvido sem os julgamentos que se tornaram comuns a cada manifestação controversa que se torna pública e ganha os holofotes hoje em dia. Principalmente por ser um trecho de uma fala, com apenas parte do contexto conhecida. Mas o pouco que temos basta para tentar dimensionar como pais e mães recebem as más notícias que vêm de seus filhos envolvidos com o crime. O cháo deve se abrir.
O filho, neste caso, tinha acabado de ser preso após se envolver em uma briga no Terminal de Campo Grande, em Cariacica, na noite desta quarta-feira (20), na qual um homem de 44 anos foi morto com uma facada no peito. Ele é um dos suspeitos, ao lado de uma mulher que também foi presa. O filho contou para a mãe que conheceu a mulher pouco antes do crime, ao tentar comprar drogas. Uma tragédia vivida por muitas famílias.
Como sociedade, vivemos constantemente em choque. De certa forma, também destruídos a cada novo ato de violência que vem a público. Nesta quarta-feira, tomamos conhecimento da morte brutal de uma jovem em Pedro Canário, que chegou a ser decapitada pelo companheiro, o principal suspeito segundo a Polícia Militar. Carolaynne Ferreira Santos é a vítima, assim como a sua família. Mas deve ser muito difícil também para as pessoas próximas do assassino, diante de tanta frieza. Parente de criminoso, na grande maioria dos casos, não é bandido.
Isso porque nem sempre a família dá conta de tirá-los dos maus caminhos, por mais que muita gente tente responsabilizá-la. É claro que há famílias desestruturadas e desajustadas, mas há muitos pais, mães, avôs e irmãos destruídos pelas péssimas escolhas de vida feitas por esses criminosos. É nesse sentido que o ambiente tem peso e precisa ser transformado, e nisso a educação tem um papel fundamental na blindagem dos jovens, aliada à família. Assim como as próprias condições de vida no país, ainda tão desiguais.
O desabafo da mãe é forte, pesado até. Além da própria tragédia social que ainda se abate sobre o Brasil, segue sendo um mistério qual chave é virada para transformar uma pessoa em um criminoso, a ponto de tirar a vida de outras pessoas de forma tão banalizada. Continuamos falhando como sociedade enquanto não agimos de forma coletiva para conter essa realidade.