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Caos em Nova Almeida: o que a sociedade organizada está esperando para reagir?

Toque de recolher imposto por bandidos no bairro da Serra não difere de tantas outras ocorrências impostas pelo tráfico em bairros da Grande Vitória nos últimos anos, colocando sempre a população refém dos bandidos

Publicado em 29/07/2022 às 02h00
Tráfico
Criminosos enfrentam policiais na região de Nova Almeida, na Serra. Crédito: Reprodução/Internet

"Parece uma cidade-fantasma." Foi assim que uma moradora de Nova Almeida, na Serra, descreveu o toque de recolher imposto por criminosos na região nesta quarta-feira (27) após a morte de um jovem durante uma ação policial. De acordo com o  capitão Diego D'avilla, subcomandante da 14ª Companhia Independente da PM, Jeferson Silva de Oliveira, de 22 anos, seria um dos chefes do tráfico na região, com mandado em aberto pelo crime.

"Esse cidadão empreendeu fuga. Vendo que não teria condições de fugir, sacou uma arma da cintura na intenção de atirar nos policiais. Antes de ele conseguir, os policiais efetuaram um disparo que o acertou", afirmou o capitão.

A morte foi o estopim para o caos na região da Serra. Bandidos obrigaram comerciantes a fechar as portas e iniciaram um protesto com queima de pneus, interrompendo o trânsito na principal via de Nova Almeida.  O transporte coletivo parou de circular no bairro.

A orla, que é frequentada neste mês de julho por turistas do interior do Estado e de Minas Gerais, virou uma verdadeira praça de guerra, com criminosos enfrentado policiais em um tiroteio intenso.  O saldo foi um homem baleado em plena praça do bairro, que veio a óbito no hospital, e um policial baleado na mão quando bandidos tentaram roubar seu carro. Um outro veículo foi roubado e depois encontrado no Rio Reis Magos.

Nova Almeida é uma das localidades mais antigas do Estado. Está lá a emblemática Igreja dos Reis Magos, um marco histórico e turístico do Espírito Santo. Em 2019,  A Gazeta contou a história do distrito na matéria "Nova Almeida: distrito da Serra já foi município e 'resume' história do Brasil". É lamentável e revoltante que seus moradores virem reféns das vontades de traficantes, impossibilitados de ir e vir e aterrorizados.

Um terror que não se difere das ocorrências que são registradas com uma recorrência intolerável em toda a Grande Vitória.  Nesta quinta-feira (28), o morro São Benedito, em Vitória, foi cenário de troca de tiros entre policiais militares e criminosos. A corporação afirma que, durante a troca de turno no Destacamento da Polícia Militar, os militares foram atacados por homens armados, o que deu início ao confronto. Enquanto isso, os moradores ficam totalmente vulneráveis.

Da Piedade ao Bairro da Penha, em Vitória. No Planalto Serrano, na Serra, ou em Flexal, em Cariacica. Ou em Divino Espírito Santo, em Vila Velha, a lista de bairros que passaram por dias ou noites de terror em função do domínio do tráfico nos últimos anos parece não ter fim. Chegou-se a um ponto em que parecem episódios banalizados, sem causar a comoção que deveria na sociedade civil. É preciso sair desse estado de dormência coletiva.

As forças policiais estão em campo, nesse enfrentamento diário. Essa não é a questão. Também é óbvio que a redução da criminalidade se faz com políticas estruturais que promovam a educação e garantam oportunidades a todos. O poder público precisa se fazer presente. Esse é um ponto pacífico.

O que faz falta, a esta altura, é um envolvimento mais organizado dos principais atores sociais e institucionais. Do Ministério Público e do Judiciário aos prefeitos e vereadores, passando pelos parlamentares no nível estadual e federal e o próprio governo do Estado, todos  aqueles que testemunham o drama dos cidadãos precisam se engajar para promover um pacto do Espírito Santo contra a violência. É preciso se organizar, buscando novas abordagens mais eficientes. Enquanto um cidadão for obrigado a se esconder em casa porque seu bairro está conflagrado, continuará sinalizado o nosso fracasso como sociedade.

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