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Preço de petróleo fecha com nova queda história e tem recuo de 43%

Commodity amplia perdas diante da forte crise que golpeia o setor, repercutindo pânico com redução na demanda e possibilidade de estoques lotados

Publicado em 21/04/2020 às 14h27
Atualizado em 21/04/2020 às 19h13
Data: 06/12/2019 - ES - Linhares - Estação de tratamento de petróleo da Petrobras Fazenda Alegre
Produção de petróleo em terra: barril sofre forte desvalorização. Crédito: Carlos Alberto Silva

Naquele que parece ser mais um dia de quedas nas cotações de petróleo pelo mundo, o óleo mineral amplia nesta terça-feira (21) as perdas diante da forte crise que golpeia o setor, repercutindo pânico com recuos na demanda por causa do coronavírus e a possibilidade de estoques lotados nos Estados Unidos.

Às 10h28, no horário de Brasília, o contrato do petróleo WTI para junho, o mais líquido negociado nos Estados Unidos, tombava 28,44%, sendo comercializado a US$ 14,65, o barril. Em Londres, os contratos de petróleo Brent para o mesmo mês despencavam 22,45%, negociado a US$ 19,86, o barril.

Em mais uma sessão de derretimento dos preços, o petróleo WTI fechou com retração de 43,36%, a US$ 11,57. O menor valor desde 1999.  Na Internacional Exchange (ICE), o petróleo Brent para o mesmo mês encerrou a sessão em queda de 24,4%, a US$ 19,33 o barril, menor valor desde 2002.

Já o contrato do WTI para maio, que ontem protagonizou a inusitada queda de 305,9% na Bolsa de Nova York, expira nesta terça-feira e sobe 96,07%, mas segue no território negativo, em -US$ 1,48 o barril.

QUEDA HISTÓRICA

Nesta segunda-feira, pela primeira vez na história, o preço do petróleo negociado nos Estados Unidos fechou com valor negativo, refletindo a forte contração da atividade econômica e o excesso de estoques do produto provocado pela pandemia do novo coronavírus.

Os contratos para entrega em maio do óleo tipo WTI - referência no mercado americano - desabaram ontem 305,9% na Bolsa de Nova York e fecharam cotados a US$ 37,63 negativos.

Ainda na Bolsa, os contratos para junho foram negociados a cerca de US$ 20 o barril, o que representou uma queda de 18,40%. Já o óleo Brent, em Londres, também para entrega em junho, encerrou o dia em baixa de 8,94%, a US$ 25,57 o barril.

No mercado futuro, o investidor coloca dinheiro em títulos de empresas petroleiras com a garantia de que, em poucos meses, vai poder receber o petróleo pelo qual pagou. Se a commodity estiver em alta, esse investidor pode revender o título a terceiros a um valor mais alto do que pagou inicialmente por ele.

Ontem, porém, os investidores não só não acharam novos interessados pelos papéis como também preferiram morrer com o título na mão, em vez de resgatar o petróleo pelo qual teriam direito. Do contrário, precisariam arcar com prejuízo ainda maior por conta do custo extra de armazenamento.

PERSPECTIVA

Para Edmar Almeira, professor do Instituto de Economia da UFRJ e pesquisador do Instituto de Energia da PUC (Iepuc), o mercado futuro deve conviver por mais quatro meses com a desvalorização da commodity e, até mesmo, com a negociação de novos contratos a preços negativos.

"Os EUA são a vítima da crise que provocaram, ao reduzir os custos de produção e encher o mercado de petróleo, gerando um desequilíbrio entre oferta e demanda", diz ele, acrescentando que a única solução é fechar poços produtores.

A visão do economista e coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás (Ineep), Rodrigo Leão, é de que a China também contribui com a queda abrupta da cotação do petróleo e que não deve ajudar na recuperação tão cedo. O especialista argumenta que o país asiático aumentou a importação no mês passado para ampliar seu estoque e a expectativa é que não volte às compras no mês que vem.

Além do excesso de estoque, os especialistas dizem que a queda de preços nos EUA também reflete outro fator: a avaliação de que o acordo anunciado há cerca de duas semanas pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) - para cortar a produção em 9,7 milhões de barris por dia - foi insuficiente para elevar os preços da commodity.

Visto inicialmente como positivo, o corte equivale a 10% da oferta global. A própria Opep admite que a demanda pelo produto deve cair em 6,8 milhões de barris por dia até o fim do ano.

COLAPSO PODE COLOCAR PRESSÃO NOS EMERGENTES

Com o colapso dos preços do petróleo, cresceu a pressão sobre as moedas e a situação fiscal de países como Brasil e Rússia. Porém, dos países emergentes produtores de commodities, o que mais preocupa os analistas é o México.

Os mercados emergentes fora da China tiveram fluxos de saída em março que superaram os da crise financeira global de 2008, uma vez que os investidores fugiram de ativos mais arriscados em meio à incerteza criada pela pandemia de coronavírus. As moedas recuaram. Esses fatores pressionaram muito esses mercados, que já estavam enfrentando um crescimento lento, níveis crescentes de dívida e recursos limitados para enfrentar a covid-19.

A necessidade de estímulo fiscal sobrecarregou significativamente as contas públicas, levando o que a economista global do Bank of America, Aditya Bhave, descreveu em uma nota aos clientes como um aumento "impensável" dos déficits.

Em nota aos clientes na terça-feira, Chris Senyek, da Wolfe Research, destacou a dívida do mercado emergente como o topo da lista de preocupações com crédito. Ele lembra que, neste caso, o Federal Reserve tem capacidade limitada de intervir.

Entre os mercados emergentes, Senyek disse estar mais preocupado com o México, citando o forte declínio do peso, o impacto da queda nos preços do petróleo no orçamento do governo e a forte conexão com a economia americana, que provavelmente está em recessão.

As moedas dos mercados emergentes caíram cerca de 30% em alguns casos - geralmente um desenvolvimento inflacionário. Mas a baixa demanda e a queda acentuada dos preços do petróleo são desinflacionárias, dando aos banqueiros centrais dos mercados emergentes espaço para cortar taxas para níveis recordes, lembrou Jon Harrison, diretor-gerente de mercados emergentes da TS Lombard.

Por enquanto, o crescimento lento e os crescentes déficits fiscais significam uma deterioração da dinâmica da dívida em relação ao PIB, com moedas mais fracas exacerbando o risco. E nessa frente, o México está entre os piores colocados, diz Harrison. Ele espera que o PIB mexicano contraia em até 12% este ano.

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