ASSINE

Alta da Selic: investimentos de renda fixa tendem a ficar mais atrativos

A rentabilidade real desses ativos, porém, só deve voltar a superar a inflação no final deste ano, afirmam analistas do mercado

Publicado em 04/08/2021 às 21h02
Mercado financeiro, b3, bolsa de valores
Mercado financeiro, b3, bolsa de valores. Crédito: Gerd Altmann/Pixabay

aumento da taxa Selic e a sinalização de que uma nova alta de igual magnitude à anunciada nesta quarta-feira (4) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central - de 1 ponto percentual, para 5,25% - tendem a deixar os investimentos de renda fixa mais atrativos para o investidor.

A rentabilidade real desses ativos, porém, só deve voltar a superar a inflação no final deste ano, afirmam analistas e executivos de mercado.

A decisão do Copom veio em linha com as expectativas do mercado e a sinalização da autoridade monetária é que ainda devem vir novos aumentos da taxa básica neste ano. Segundo o último relatório Focus, do BC, analistas estimam que a Selic termine 2021 em 7% ao ano - as projeções eram de 6,5% há quatro semanas.

A principal escolha dos investidores, segundo Leon Abdalla, analista de investimentos da Rio Bravo, ainda tende a ser os títulos de crédito privado - como é o caso das debêntures incentivadas.

"Já começamos a ver um efeito positivo de fluxo de capital para renda fixa, com investimentos mostrando uma captação mais forte não somente pela maior confiança do investidor, mas também pelo ciclo de alta de juros", afirmou.

"A economia reabrindo, a volta dos serviços e uma recuperação global começando a despontar sinalizavam uma pressão inflacionária e indicavam uma alta de juros. Parte do mercado já se antecipou a esse movimento, mas ainda devemos ver a renda fixa ganhar um novo ciclo daqui para frente, de maior rentabilidade", completou Abdalla.

Além da alta de preços oriunda da retomada e do descompasso entre oferta e demanda de alguns insumos, o Brasil vive um momento de desvalorização cambial do real em relação ao dólar e recentes eventos climáticos, com geadas no centro-sul, que resultaram em perdas no campo - situações que também ajudam na pressão inflacionária.

Os analistas projetam que a inflação deve terminar o ano a 6,79%, segundo o relatório Focus, acima do teto da meta da inflação (de 5,25%, com centro em 3,75%) A previsão era de 6,07% há quatro semanas.

Algumas instituições já trabalham com a perspectiva de que a inflação possa terminar o ano na casa de 7%.

No mundo dos investimentos inflação alta significa rentabilidade real menor das aplicações - para os ativos de renda fixa, também podem significar rendimento negativo.

O ganho real de um investimento é calculado a partir da diferença entre o retorno do ativo e a inflação. Caso essa rentabilidade seja inferior ao índice de preços, o investidor perde dinheiro.

Um levantamento feito pelo buscador de investimentos Yubb para a reportagem apontou que entre os investimentos de renda fixa, apenas as debêntures incentivadas - que são alocações isentas de Imposto de Renda - terão rendimento real positivo com a nova Selic.

Para o cálculo, o levantamento considera a média de rentabilidade dos ativos e alíquota de 20% de Imposto de Renda, referente a prazos de vencimento entre 181 e 360 dias.

Segundo o Yubb, já considerando o aumento da Selic, mesmo com um retorno bruto de 7,78% - o maior entre os investimentos pesquisados -, o rendimento real das debêntures incentivadas ficaria em 0,92%.

O pior investimento nesse cenário seriam os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) dos grandes bancos, que oferecem uma média de retorno bruto de 4,12%. Neste caso, a rentabilidade real seria negativa em 3,27%.

Para o analista da Constância Investimentos, Gustavo Akamine, a expectativa é que os investimentos de renda fixa comecem a ganhar da inflação apenas a partir do final do ano.

"Até lá, a tendência é termos um juro real negativo para os investimentos de baixo risco", disse o analista.

Para conseguir obter rendimentos que superem a inflação, os analistas recomendam a diversificação da carteira e sinalizam a possível necessidade de o investidor continuar a assumir mais riscos em renda variável.

Entre as opções de diversificação, os analistas citam BDRs (recibos de ações listadas no exterior) e ETFs (fundos de índices), além das ações negociadas na Bolsa brasileira.

Segundo Akamine, apesar de algumas empresas listadas na Bolsa de Valores sentirem um impacto negativo do aumento da Selic nos juros de possíveis empréstimos, outras companhias acabam sendo beneficiadas - como é o caso dos bancos e seguradoras.

"Tanto nas seguradoras quanto nos bancos, a margem financeira fica mais fácil de crescer se os juros são mais altos ou se a tendência é de juros maior", disse.

Os analistas também afirmam que apesar do juro real ainda ser negativo, a inclinação da curva de juros futuros sinaliza aumentos fortes da taxa básica ao longo dos próximos meses.

"A curva de juros ainda vem subindo. A partir de 2022 e até 2024, por exemplo, já temos uma taxa que se aproxima de 9,5% na ponta. Então agora eu acho que é muito mais uma questão de carregamento de alguns investimentos que, ao longo do tempo, vão te dando uma boa rentabilidade", afirmou o gestor de renda fixa e multimercados da BNP Asset Management, Gilberto Kfouri.

"Enquanto isso não acontece, ter papéis indexados à inflação, por exemplo, podem acabar compensando", completou.

A Gazeta integra o

Saiba mais
Inflação Bolsa de Valores Selic Mercado Financeiro Taxa Selic Mercado de Ações Investidor

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.

Logo AG Modal Cookies

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.