O bloco de poder e influência liderado por
Renato Casagrande no Espírito Santo está em franca expansão. Além do crescimento do próprio partido (PSB), que acaba de filiar muitos prefeitos, o governo Casagrande tem projetado a sua sombra sobre agremiações que oficialmente nem sequer fazem parte da coalizão governista. Isso significa que o sistema de corpos celestes constituído em torno do Palácio Anchieta também está em plena expansão: mais satélites partidários gravitando ao redor do governador (o astro central nessa galáxia política, se quisermos nos ater à metáfora).
Além do
PSB, o núcleo político de Casagrande, instalado no poder estadual, criou ramificações muito profundas sobre outras siglas que hoje não só fazem parte da base governista como se encontram inteiramente atreladas (para não dizer subordinadas) ao projeto político do governador. Podemos citar o
PV, o
PTB, o
PP, o
Podemos e o
PDT.
O resultado prático disso é que, nas próximas eleições municipais, em algumas cidades, quem quer seja o prefeito eleito, o governo Casagrande não tem como perder. Um exemplo é
Viana, onde o atual prefeito é
Gilson Daniel (Podemos) e, entre os pré-candidatos a prefeito, estão o secretário estadual de Meio Ambiente,
Fabrício Machado (PV), o presidente da Câmara,
Fábio Dias (recém-filiado ao PSB), o vereador
Cabo Max (PP), o ex-prefeito
Demósthenes Soares (PTB) e o ex-superintendente da Polícia Rodoviária Federal no Espírito Santo
Wylis Lyra, que ocupava cargo comissionado no Detran/ES até o início de abril e se desligou exatamente para participar da eleição.
Embora filiado ao MDB, Lyra estava no governo e faz parte de um MDB sobre o qual o grupo de Casagrande tem estendido os seus tentáculos, o que nos remete àquele outro ponto da análise: no universo político capixaba, até astros que não faziam parte do sistema Casagrande estão cedendo ao magnetismo natural de quem ocupa o Palácio Anchieta. Exemplos: MDB e PSDB (parcialmente); PSD, PSL e até o ainda nem fundado Aliança pelo Brasil.
Nas últimas semanas, o partido do ex-deputado federal Lelo Coimbra perdeu alguns prefeitos para o próprio PSB, como os de Anchieta, Ibitirama, Santa Maria de Jetibá e Divino de São Lourenço.
Outro exemplo dessa expansão da “galáxia Casagrande” é o Partido Social Democrático (PSD), que esteve no âmago do governo passado de Hartung. O presidente estadual do partido, Neucimar Fraga, tem ensaiado o ingresso do partido no governo Casagrande.
E o que dizer então do Partido Social Liberal (PSL)? Até fevereiro, sob a presidência do ex-deputado federal
Carlos Manato, a legenda de direita estava centrada na oposição ao governo Casagrande. Agora, sob a batuta do deputado estadual
Alexandre Quintino, aliado do governador, o PSL também passa a estar sob o controle indireto do Palácio Anchieta.
Acrescente-se à conta o PSDB, outro pilar, ao lado do MDB, do governo passado de Hartung, cujo vice foi o tucano César Colnago. Desde o início do atual governo, “fragmentos cósmicos” do partido já haviam aderido a Casagrande, a exemplo do deputado estadual Emílio Mameri, cujo genro, Raphael Trés, é o diretor-presidente da Ceturb.
Com o retorno ao PSDB do ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas, que comandou até o início de abril o Instituto Jones dos Santos Neves, a influência de Casagrande sobre o ninho tucano também tende a se acentuar. Isso sem mencionar o prefeito de Vila Velha,
Max Filho, muito bem relacionado com o governador, e o ex-senador
Ricardo Ferraço, que se estabeleceu como aliado de Casagrande e, sem aparecer, tem colaborado muito com ele.
Circunstancialmente, o PSDB até esteve na coligação encabeçada por Casagrande em 2018, mas seu presidente regional, o deputado estadual
Vandinho Leite, não é aliado do governo na Assembleia Legislativa.
Por fim, até uma sigla que ainda nem sequer existe pode, em teoria, ir parar à sombra do gigante que está se transformando o governo Casagrande na geopolítica estadual: nos bastidores políticos, comenta-se que o direitista
Aliança pelo Brasil, partido a ser fundado pelo presidente
Jair Bolsonaro (sem partido), poderá ser conduzido no Estado, uma vez criado, pelo senador
Marcos do Val (Podemos), outro aliado de primeira hora de Casagrande.
Ao contrário das demais, esta informação, no momento, ainda não passa de especulação, mas tem circulado fortemente no mercado político capixaba. Caso se confirme, o governador socialista pode colocar um pé (ou tentáculo) até no futuro partido de Bolsonaro.
É ou não é um autêntico Big Bang político?