Acusada pelo envenenamento de um médico de 90 anos, Bruna Garcia Barbosa Marinho será interrogada pela Justiça do Espírito Santo.
Além dela, pelo menos seis pessoas devem testemunhar em audiência marcada para às 13 horas de sexta-feira (30), no Fórum Criminal de Vitória.
A vítima tinha uma clínica cardiológica na Praia do Canto, em Vitória. Ela foi fechada no ano passado, após mais de três décadas de atendimento, com o comprometimento da saúde do profissional.
O envenenamento foi confirmado em laudo de toxicologia forense, a partir de análise do cabelo do médico, e integra o processo.
Prisão
Bruna é acusada de tentativa de homicídio por motivo torpe, com uso de veneno, de forma a impedir a defesa da vítima. E segundo a denúncia do MP, o crime praticado contra um idoso teve o objetivo de assegurar a impunidade ou vantagem de outro crime.
Por decisão da 1ª Vara Criminal de Vitória, responsável pelo Tribunal do Júri, ela segue presa no Presídio Feminino de Tucum, em Cariacica.
Na decisão é dito que a gravidade do caso, a forma como o crime foi praticado e a motivação impedem a concessão de medidas alternativas à prisão para Bruna.
Suposto golpe
O caso foi descoberto em março deste ano, quando o médico e a esposa, segundo a investigação policial, desconfiaram que uma funcionária estaria desviando recursos da clínica.
Trata-se de Bruna Garcia Barbosa Marinho, que trabalhou no local por cerca de 12 anos. Ela exercia função de confiança, controlando o setor financeiro. E seria a pessoa responsável pela rotina alimentar do médico.
Segundo as investigações, o envenenamento teria sido feito para mascarar o desvio dos valores, direcionados para a conta pessoal dela.
Ela foi presa e denunciada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). No final do mês de outubro o Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória aceitou a denúncia contra a mulher, o que a tornou ré em uma ação penal.
Foi determinado ainda o bloqueio de seus bens no valor de R$ 600 mil. Há ainda uma segunda investigação não concluída sobre o caso.
No início das apurações o marido dela, Alysson Oliveira Marinho, chegou a ser apontado como suspeito, mas o Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória aceitou o pedido do MP de arquivamento do inquérito policial contra ele, que foi libertado.
Defesa: "expectativa é por justiça"
O advogado Waldyr Loureiro, que atua como assistente de acusação, avalia como de “extrema gravidade” os fatos denunciados à Justiça. Observa que não ocorreu apenas um crime patrimonial, mas uma tentativa de homicídio qualificada, em que a confiança da vítima foi utilizada como ferramenta para o cometimento dos atos.
“As investigações apontam que o envenenamento não foi um ato isolado, mas um meio cruel empregado para encobrir desvios financeiros vultosos, subtraídos do patrimônio de quem a ré deveria zelar”, diz, acrescentando que a vítima, hoje, apresenta sequelas severas.
Informa que vai atuar em busca de uma aplicação rigorosa da lei penal. “Visando condenação proporcional à gravidade da conduta; reparação dos danos causados à saúde e ao patrimônio do idoso; e uma resposta pedagógica da justiça contra crimes praticados mediante abuso de confiança contra vulneráveis”.
A defesa de Bruna preferiu não se manifestar no momento. Em entrevistas anteriores foi assinalado que ela é inocente e que as acusações são motivadas por vingança.
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