Não sei vocês, mas neste instante da minha frondosa existência a maior parte do tempo sinto-me em uma ilha isolada no meio do Oceano Pacífico, após um naufrágio previsível, no caso representado pela atenção social praticada no país. E não é de hoje.
As soluções para uma pandemia que mata milhões de pessoas todos os dias, todo dia, são ignoradas pelo povo desacostumado a confiar nos dirigentes. Cada setor tem uma tese sobre causa e efeito de um agente invisível, a não ser através dos sintomas mortais que provoca.
O presidente, bem ao estilo da Ofélia, personagem de Chico Anysio, só abre a boca quando tem certeza. Um desastre. Não existe um organismo estatal central que possa administrar o país realmente. A vacinação, ainda que tardia, é a única certeza de eficiência. Individualmente todos querem sobrepor seu minúsculo pensar.
Consta que ficaram isolados em uma minúscula ilha deserta, um físico, um padre e um marinheiro vitimados por um naufrágio. Estavam sem comida nenhuma, desesperados, quando surge boiando no mar uma lata de feijão lacrada.
Discutiram muito, fizeram alianças, tentaram uma representação majoritária, e não chegaram a nada, nenhuma ideia que fosse maioria. A fome apertava – fome mata e dói – até que decidiram. Cada um daria sua sugestão em separado. Depois sortearam a ordem das falas e sugestões para abrir a lata.
E o sol esquentando. Decidiram, finalmente, pela votação em aberto sobre o processo, já transitando em julgado – eu nunca soube o que vem a ser isso. E falaram e deram as sugestões:
- Acho que pelas leis da Física, sugiro que deixemos a lata no sol até que a pressão de dentro para fora exploda-a - opinou o físico.
- Minha opinião é rezar junto a esta palmeira, dádiva da natureza, e implorar a Deus a abertura da lata.
- Acho melhor eu usar logo este meu abridor de lata – opinou, definitivamente, o marinheiro.
Engoliram de uma vez só todo o conteúdo da lata.
E morreram todos de indigestão.
Não foi bem assim, mas como todo mundo mexe na Constituição brasileira, por que não posso mexer na piada?
Então.
Também gosto de futebol, mas isso é lá hora de distrair o povo, incentivando sutilmente as aglomerações previsíveis, como a recepção de Clube ou a despedida nos aeroportos?
Defender uma nação de última hora é impossível.
O Amazonas, há muitíssimo tempo, vem sofrendo queimadas vis para usar a área invadida e a madeira ser roubada por pistoleiros assassinos organizados. Eles matam e esfolam quem tenta impedi-los, colocando o vil metal como sempre à frente de qualquer razão, juntamente com as armas de fogo.
Idem em relação ao mercúrio derramado nas águas do Rio Solimões, e outros, para garimpar sem cerimônia o ouro e poluir as referidas águas para sempre. Além do mais, eliminam os indígenas ocupantes de suas próprias terras - algumas tribos já existem antes mesmo do 1.500 d.C. É tempo demais.
Quando as entidades internacionais se sentem prejudicadas e usam seu poder para falar com os dirigentes, aparece lá uma maquiagem para enganar os militantes que morrem às dezenas. E ninguém da plebe rude brasileira sabe o que realmente acontece nessas – e muitas outras – negociações.
Alguma entidade mágica equipou os responsáveis pelo país – salvo exceções – com incompetência, ganância e uma monumental capacidade de mentir.
A maioria dos jornalistas se enchem de indignação até onde podem.
A repórter Andréia Sadi, por quem nutro uma delicada paixão, disse que o importante em jornalismo não é perguntar, é receber respostas. Achei porreta.
Dorian Gray , meu cão vira-lata, acha que Sadi e Malu Mader são a mesma pessoa.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta