Uma decisão tomada para evitar riscos sanitários não pode ser politizada. O Brasil já viveu isso na pandemia, mas não parece ter havido o aprendizado essencial daquele período: quando a saúde das pessoas está em jogo, é à ciência que se deve recorrer.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ao determinar o recolhimento de uma série de produtos (veja lista aqui) da marca Ypê, cumpriu o seu papel de garantir que alimentos, medicamentos e outros tipos de produtos sejam seguros e eficazes, ao atuar na regulação, controle e fiscalização sanitária. O rigor científico está por trás de qualquer decisão.
A Anvisa é uma autarquia, um órgão de Estado, não de governo, por mais que seus diretores sejam escolhidos pelo presidente. O ministro da Saúdel, Alexandre Padilha, chegou a informar que o diretor de área técnica da Anvisa, Daniel Meirelles, responsável pela medida, foi indicado durante o governo Bolsonaro.
Além disso, como a fábrica fica em Amparo (SP), as inspeções contaram com técnicos do governo de Tarcísio de Freitas. As agências sanitárias estadual e federal não lavaram as mãos diante de um risco sanitário.
Quem coloca política e ideologia no meio de um assunto tão sério está, no mínimo, mal-informado. Ou desinformado, o que é o maior risco à decisões pessoais.
Nesta terça-feira (12), a Ypê apresentou 239 medidas corretivas para reverter a determinação de recolhimento e suspensão da fabricação de parte dos seus produtos de limpeza. Ou seja, a própria empresa está fazendo ajustes para cumprir as regras sanitárias. E vale lembrar que são essas regras que garantem a segurança de quem consome os produtos. Independentemente de posição política.
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