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Economia

Primeiros impactos da pandemia no PIB capixaba não são nada animadores

A economia do Espírito Santo iniciou 2020 com boas expectativas. Todavia, um fato inesperado modificou as previsões

Publicado em 24 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

24 jun 2020 às 05:00
Pablo Lira

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Pablo Lira

Queda no PIB
Queda no PIB Crédito: Pixabay
O PIB do Espírito Santo finalizou o ano de 2019 com as indústrias extrativa e de transformação apresentando reduções. Esses resultados negativos haviam sido contrabalanceados pelo crescimento das atividades da construção civil, comércio e serviços. Ademais, a safra anual da maioria dos produtos do setor primário capixaba registrou desempenho positivo.
Na perspectiva do mercado de trabalho, ainda em 2019, o ES computou saldo positivo de cerca de 19.500 vagas formais de emprego, o melhor resultado nos últimos seis anos. Os setores que mais contribuíram para esse destaque foram os serviços, comércio e construção civil.
A economia do Espírito Santo iniciou 2020 com boas expectativas. Todavia, um fato inesperado modificou as previsões. A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) engendrou desdobramentos na economia mundial. Desde o início do ano, a China e Europa sofreram os efeitos negativos ocasionados pela rápida disseminação da doença. Na sequência, foi a vez dos Estados Unidos sofrer os impactos da pandemia mais intensamente.
Esses países são importantes parceiros da balança comercial capixaba. O ES apresenta um dos maiores graus de abertura econômica na comparação entre as unidades da federação. Esses dois aspectos tornam nossa economia mais suscetível aos desdobramentos internacionais da pandemia.
Contudo, a economia capixaba passou a sofrer diretamente os efeitos da pandemia a partir de março, quando os primeiros casos de infectados e óbitos foram registrados, o que suscitou a implementação de uma série de medidas de isolamento social, necessárias para controlar o crescimento de novos casos da Covid-19.
Os dados do PIB do ES relativos ao 1º trimestre de 2020, divulgados recentemente pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), demonstram os efeitos iniciais diretos da pandemia. Na comparação com o 4º trimestre de 2019, a economia capixaba registrou redução de 1,2%, enquanto o Brasil evidenciou uma diminuição de 1,5%.
Na base interanual, o PIB capixaba do Espírito Santo apresentou redução de 1,7%. A retração das atividades das indústrias extrativa e de transformação, bem como o decréscimo no setor de serviços, concorreram para o resultado negativo do 1º trimestre de 2020. Nesse período, o comércio ainda manteve desempenho positivo. Esse resultado somente foi possível pelo curto período de exposição aos impactos diretos da pandemia, limitado aos últimos 15 dias de março.
Provavelmente, no 2º trimestre de 2020, os efeitos negativos da Covid-19 serão mais significativos na economia. Entretanto, os trimestres seguintes tendem a captar melhor os resultados de medidas que visam estabelecer um contexto de convivência com a pandemia. Além disso, a série histórica do PIB demonstra que em períodos de crise o ES tende a sofrer mais do que o país os desdobramentos negativos. No entanto, no período pós-crise o Espírito Santo tende a retomar o crescimento de forma mais rápida e intensa em comparação ao Brasil.

Pablo Lira

Pos-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve as quartas

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