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Economia

Deflação e crédito dão empurrãozinho nas vendas das lojas no ES

Índice de preços da Região Metropolitana de Vitória apresentou deflação de 0,48% no mês passado, a primeira em mês de maio em quase duas décadas. A população está usando mais crédito (cartões, carnês de lojas etc) para manter níveis de consumo

Publicado em 22 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

22 jun 2020 às 05:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

Vitória - ES - Abertura do comércio na avenida Jerônimo Monteiro no Centro de Vitória.
Abertura do comércio na avenida Jerônimo Monteiro, no Centro de Vitória Crédito: Vitor Jubini
Pouca demanda, pouca inflação. Traduzindo este princípio em números, o índice de preços da Região Metropolitana da Grande Vitória apresentou deflação de 0,48% no mês passado, a primeira registrada em mês de maio, em quase duas décadas. No acumulado de janeiro a maio deste ano, o IPCA da Região Metropolitana variou apenas 0,18%. Em 12 meses, 1,78%.
A causa da inflação rasteirinha é péssima. É recessão. E forte. Basta ver que o dado mais recente da produção industrial capixaba aponta retração de 16,7% em abril. Deflação por muito tempo é economicamente danosa. Quebra empresas, alastra o desemprego. Porém, nas atuais circunstâncias, extremamente excepcionais, a queda de preços de diversos produtos de consumo no dia a dia tem ajudado o comércio a vender um pouquinho mais.
Segundo empresários, é apenas um fraco empurrãozinho, muito limitado pela perda de renda de expressiva parte da sociedade. De acordo com o Instituto Jones dos Santos Neves, o volume de negócios da atividade varejista ampliada (que inclui material de construção, veículos, motos, partes e peças) cresceu (veja só!) 4,4% no Estado, no primeiro trimestre de 2020 comparado ao mesmo período do ano passado.
Apesar da deflação, os preços de alguns alimentos na Grande Vitória estão altos e não cedem. Com exceção da gasolina (cuja política de reajustes é um caso à parte), vários produtos sentem os efeitos da elevadíssima valorização do dólar. Entre as moedas de países emergentes, o real foi a que mais se desvalorizou neste ano. Derreteu-se em mais de 20%. Outros itens tiveram aumentos muito fortes devido à combinação custo de produção e oferta. Isso se vê, por exemplo, na batata inglesa, que acumula alta de 85% de janeiro a maio, e na cebola, que subiu 108% neste período.
Quanto ao preço da gasolina, de grande reflexo na economia, vale lembrar que houve reajuste, nas refinarias, na semana passada. No entanto, para o consumidor final (nas bombas) o preço tinha recuado 6,7% em maio e 8,8% em abril. Essa sequência contribuiu para a deflação de 1,95% no grupo transportes, na Grande Vitória, ao longo deste ano.
Além da inflação baixa, outro fator também está impulsionando, ainda que timidamente, as vendas do comércio, em meio à recessão. Segundo a Confederação Nacional do Comércio e Serviços (CNC), a população está usando mais crédito (cartões, carnês de lojas etc) para compensar redução de ganhos salariais e manter níveis de consumo. Isso, porém, tem efeito colateral: é o aumento de dívidas das famílias, via instrumentos de compra.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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