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Crise econômica

Em sete semanas de pandemia, comércio do ES perde R$ 3 bilhões

Em abril, as vendas feitas por lojas virtuais cresceram 175% e somaram quase quatro vezes o volume registrado no Black Friday de 2019. Mas isso não evitou o vultoso prejuízo causados pelas fechadas, como medida de isolamento social

Publicado em 15 de Maio de 2020 às 05:00

Públicado em 

15 mai 2020 às 05:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

Comércio fechado por causa do coronavírus no Centro de Vila Velha
Comércio ficou de portas fechadas praticamente abril inteiro Crédito: Carlos Alberto Silva
Com alta de 175% em abril, lojas virtuais venderam quase quatro Black Fridays em apenas um mês. Ainda bem. Pelo menos essa veia da economia não está paralisada. O problema é que isso não compensa o prejuízo com as portas fechadas, que é monstruoso. Abril foi o primeiro mês inteiro com as lojas físicas inativas, devido ao isolamento social. O crescimento de 175% refere-se ao volume transacionado, e resulta da comparação com abril do ano passado, de acordo com levantamento da plataforma Nuvemshop.
Nunca os canais alternativos que levam ao consumo - e-commerce, m-commerce, vendas por aplicativos de redes sociais, serviços de delivery, drive-thru etc - foram tão utilizados como agora. Essas praticas têm sido ajudada pelas carteiras digitais de pagamentos. Vê-se a rápida popularização do QR Code e de outras ferramentas. É um novo cenário em consolidação. Não terá volta.
Paralelamente, com a maioria das lojas fechadas, o comércio acumula no país perda de R$ 124,7 bilhões em sete semanas de pandemia, entre 15 de março e 2 de maio. Significa retração de 56% em relação ao faturamento habitual do varejo neste período. É o que diz pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Este mesmo estudo apurou que no Espírito Santo o prejuízo do setor comercial já atingia R$ 3 bilhões, até o dia 2 de maio. Dose forte. É o 11º maior montante entre os 26 Estados brasileiros. O tombo repercute na arrecadação tributária, e isso quer dizer menos dinheiro nos cofres públicos para atender as demandas da população.
Supermercados e farmácias estão em melhores situações neste contexto desolador do comércio, mas não quer dizer que esteja tudo bem com esses estabelecimentos. A CNC ressalta que as vendas de alimentos e medicamentos, segmentos que respondem por 37% do varejo brasileiro, acumularam perdas de R$ 13,12 bilhões no período. O movimento de estocagem de comida, feito por parcela não expressiva da população (os que têm dinheiro na mão) vem perdendo força desde abril. Isso também tem tirado a força da inflação artificial injetada por oportunismo em vários produtos.
Levantamento feito pelo IBGE, chamado Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), mostra que as vendas de tecidos, vestuários e calçados estão entre as mais prejudicadas pela crise. Há também um recuo histórico na comercialização de produtos duráveis (notadamente veículos automotores). Imagina-se que a recuperação das vendas desses produtos será mais difícil em comparação com outros, porque a renda da população está desabando com o desemprego. Além disso, a insegurança sobre o amanhã inibe compras mais ousadas.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo cita que o índice de isolamento sociais chegou próximo a 70% no final de março, caiu para cerca de 50% no final de abril, e hoje estaria em torno de 44%. Esse declínio, porém, não está animando as lojas físicas. Falta muito.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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