A economia está infectada pelo coronavírus. Quantas empresas não resistirão e morrerão? Está pergunta começa a ser respondida no Espírito Santo pelos dados da Junta Comercial: 2.479 foram extintas no primeiro trimestre de 2020. Cerca de 97% são microempresas.
2.479 significa mortalidade recorde no Estado no período de janeiro a março. Os números mais próximos foram vistos no primeiro trimestre de 2018, quando deixaram de operar 1.955 firmas, e no primeiro trimestre de 2019, quando o total de empresas fechadas somou 1.991. Poderia ter sido mais, porque a economia capixaba não andou no ano passado. A evolução do PIB foi zero por cento.
2.479 é um número subavaliado. Menor do que a quebradeira real. Refere-se apenas às empresas que foram à Junta Comercial e deram baixa oficialmente no registro. Poucas cumprem esse rito. Grande quantidade das que encerram as atividades não dá baixa. Nem liga para isso. É questão cultural. Simplesmente param de operar. Sempre foi assim. Com ou sem crise.
Registre-se que apesar da extinção de 2.479 empresas, foram criados formalmente, com registro na Junta, 3.194 negócios no primeiro trimestre, no território capixaba. Nasceram em meio à tempestade destruidoras. Precisarão de mercado para sobreviverem.
Duas outras situações também compõem o cenário atual. Uma mostra estabelecimentos (micro, pequenos e até médios) que cerraram as portas imaginando faze-lo temporariamente, ou seja, esperando reabri-las logo que possível. Mas quantas conseguirão voltar? O tempo dirá. Quantos empregos deixarão de existir? O ano de 2019 foi encerrado no Espírito Santo com o saldo de 19.537 postos formais de trabalho, um aumento de 2,7% em relação a 2018. Certamente esse estoque está se derretendo.
Cerca de 78% das lojas no Estado estão fechadas, diz uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio. O prejuízo do setor atingiu R$ 1,3 bilhão no período de 21 de março a 7 de abril. É um quadro que atinge principalmente as micro e pequenas empresas, e elas respondem por 53% do PIB do setor de comércio e serviços, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas/Sebrae.
Outra situação é a das empresas que permanecem operando, mas com forte redução nas vendas (o que não é o caso dos supermercados, dos quilões e das farmácias). É um cenário anômalo. Muitos negócios podem não suportar essa prova de resistência, apesar de benefícios fiscais e creditícios que estão sendo oferecidos. Postergação de impostos é necessária. Crédito mais barato (ou não tão caro), idem. Mas não existe salvação se a economia não acordar e reagir.