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Cenários

O vírus da instabilidade política ameaça o futuro da economia

Instituições em conflito e instáveis formam um ambiente inseguro, sobretudo para a economia, normalmente sempre um campo da realidade mais sensível e também de respostas mais espontâneas e rápidas às crises

Públicado em 

07 mar 2020 às 05:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Coronavírus tem feito bolsas de valores cair ao redor do mundo Crédito: Pixabay
Já há um certo consenso entre analistas de economia e política, e nisso me refiro exclusivamente ao Brasil, de que a instabilidade política, principalmente por conta dos embates entre os poderes Executivo e Legislativo, no âmbito federal, tem potencial de provocar mais estragos na economia do que o alastramento coronavírus.
Constatação que nos leva, de imediato e de forma consequente, à necessidade de darmos atenção especial à solução ou pelo menos ao equacionamento da instabilidade interna que se instala no país, naturalmente, sem demérito ao combate ao vírus real que, aliás, está sendo bem conduzido.
Valendo-nos da analogia, podemos afirmar que estamos alimentando internamente um “vírus”, naturalmente não lastreado ou alimentado por um ambiente biológico, mas que de forma crescente vem provocando um clima de instabilidade política. Esse tal “vírus” ataca sobretudo os “tecidos” constitutivos do organismo que sustenta o Estado de confiança do sistema social, econômico e político, também conhecidos como instituições.
Instituições em conflito e instáveis formam um ambiente inseguro, sobretudo para a economia, normalmente sempre um campo da realidade mais sensível e também de respostas mais espontâneas e rápidas às crises. Os sinais ou consequências desses abalos, que se intensificaram mais recentemente, inflamados principalmente pelas incursões meio que destemperadas do lado do Executivo, podem ser observados no esfriamento das expectativas em relação ao desempenho da economia para este ano.
É certo que o coronavírus tem lá sua carga de responsabilidade, porém, a sua incidência ou seu poder destrutivo, sob a ótica da economia, tende a ficar limitado no curto prazo. Aliás, como em várias outros episódios parecidos e ocorridos antes: Sars, no final de 2002, e Influenza H1N1, em 2009. Diferentemente da instabilidade política, cujas consequências podem chegar a ser até desastrosas no médio e longo prazos. Podem, por exemplo, obstruir ou postergar demasiadamente reformas consideradas fundamentais para o desenvolvimento das atividades econômicas. E é o que se percebe estar acontecendo no momento.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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