Foram as ideias e os avanços teóricos desenvolvidos pelo economista John Maynard Keynes e, por consequência, as políticas públicas delas derivadas, especialmente geradas na década de 1930, em meio à maior depressão econômica da história do capitalismo, que possibilitaram não somente a saída da grande crise, mas também um “boom” de prosperidade que perdurou até a década de 1970.
Em décadas subsequentes, no entanto, gradualmente essas ideias, revolucionárias à sua época, foram sendo colocadas de escanteio e perderam pegada. Ideias velhas mas que, sob novas roupagens, passaram a ganhar espaços, sobretudo aquelas relacionadas ao conceito de Estado, num sentido amplo, e seus papeis na sociedade e na economia. Não faltaram, ou ainda não faltam, quem acredite na perspectiva de um Estado mínimo.
Parece-nos que essa pandemia da Covid-19 vem a colocar novamente no centro das discussões, e agora em escala global, o papel do Estado. O único ente, agora, a ser capaz de liderar, coordenar e implementar ações que possam conter as sucessivas ondas de impactos negativos. Naturalmente, com desempenhos variados de país a país. Aqueles mais organizados e preparados, como Coreia do Sul, tendem a sair na frente. Vem se dissipando, assim, o medo em relação às ideias de Keynes.
O que observamos hoje nas economias mundo afora, e que é o caso do nosso Brasil, é um rompimento abrupto dos elos monetários, ou seja, da circulação do dinheiro, que em situação de normalidade faz a ligação entre quem produz e quem consome. Como estamos lidando com entes privados e autônomos em suas decisões, essa ruptura provoca um efeito tipo manada: consumidores evitam gastar e produtores reduzem suas ofertas, compulsoriamente ou pelo receio de não conseguir vender. Temos aí uma equação sem perspectiva de solução, ou seja, uma verdadeira inequação.
Nessas circunstâncias, nenhuma organização privada ou ente privado independente tem capacidade para resolver essa inequação. E é ai que aparece a figura do Estado como esse único ente capaz, mesmo que minimamente, organizar e, por exemplo, conectar esses elos monetários rompidos. E é o que estão fazendo praticamente todos os países do mundo, cada um a seu modo. A vez, agora, é do Estado.