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Pandemia

Como o ES está se preparando para retomar o comércio

Se o Estado deseja retomar a atividade comercial, não há caminho fácil: testes precisam ser aplicados em massa, dados e empresas vulneráveis devem ser monitorados e o sistema de saúde deve ser reforçado

Publicado em 30 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

30 abr 2020 às 05:00
Luan Sperandio

Colunista

Luan Sperandio

Vitória - ES - Coronavírus - Comércio fechado na avenida Jerônimo Monteiro, Centro.
 Comércio fechado na avenida Jerônimo Monteiro, Centro. Crédito: Vitor Jubini
Há um plano de contingência no Espírito Santo que foca evitar a circulação do coronavírus, ao mesmo tempo em que busca uma retomada do comércio para mitigar os impactos econômicos da pandemia. O governo do ES se baseou nos dados de contaminados e criou um mapa de risco, conforme o portal criado pelo governo para gerir a crise de forma transparente. As cidades são classificadas de acordo com o risco de contágio.
Muitas cidades do Estado não tem casos, mas o objetivo governamental é evitar que a doença se espalhe por esses lugares não afetados. Atualmente há oito cidades com risco alto, especialmente Serra, Vila Velha e Vitória. A liberação do comércio seguirá de acordo com a quantidade de leitos e com o risco de contágio.
Embora o risco de subnotificações ainda seja alto, o ES é um estado que realiza muito mais testes proporcionalmente à população do que a média de outros entes federativos do país. O Estado também é o quinto ente federativo com maior número de respiradores proporcional à população, com 36,5 a cada 100 mil habitantes.
Além disso, o ES ainda conta com cerca de 30% dos seus leitos de UTI, com até o momento 70% ocupados deles ocupados. Há ainda cerca de 43% dos leitos totais (57,4% ocupados). Já em relação ao número de testes, o ES possui 12.288 testes de exame PCR - teste usando o RNA do vírus, transformando-o em DNA e procurando por sinais do coronavírus - e 47.200 testes rápidos.

RETORNO DO COMÉRCIO

Dadas as condições atuais da pandemia no Espírito Santo, há a possibilidade de reabertura do comércio e de algumas atividades econômicas a partir do dia 4 de maio. Com o aumento do número de leitos de UTI para tratar novos casos e a aquisição de mais testes para Covid-19, o governo estuda flexibilizar o funcionamento de alguns tipos de comércio, como o de rua e os shoppings.
Algumas atividades foram suspensas desde o dia 20 de março, ou seja, há mais de um mês. O grande desafio a enfrentar é que a retomada gradual será em cidades que possuem risco alto, especialmente a Grande Vitória. Dessa forma, algumas regras podem e devem ser aplicadas a esse processo. Algumas delas são: reforçar a limpeza dos estabelecimentos, disponibilização de álcool em gel, divisão de horários de funcionamento e limitação de entrada de clientes. Além disso, o uso de máscaras será massificado.

O QUE PRECISA SER DESTACADO

Vale lembrar, para a população e para os tomadores de decisão, que retomar as atividades de forma gradual não implica em se descuidar com a doença. O afrouxamento do isolamento deve ser feito de forma gradual e com um plano de ações dividido em pilares fundamentais.
Avaliar a capacidade hospitalar é fundamental para um possível processo de retomada. Além disso, monitorar o avanço do número de casos suspeitos e confirmados também deve ser prioridade. Contudo, para monitorar esses movimentos, é preciso massificar as testagens na população.
Quando a atividade econômica retornar gradualmente, o monitoramento da taxa de contaminação da doença precisará ser reforçado.
Por fim, a prioridade também deve incluir o mapeamento de setores mais vulneráveis e afetados pela paralisação. Esses devem ser os principais a serem beneficiados pela abertura gradual do isolamento. Por isso, monitorar os dados, as empresas mais vulneráveis e generalizar a aplicação de testes deve ser o dever de casa do governo do Estado.

EXEMPLOS DE PAÍSES QUE COMBATERAM A DOENÇA

No início da pandemia, a Coreia do Sul chegou a ser o segundo país mais afetado pelo coronavírus, apenas atrás da China. Nesta semana, de acordo com os relatórios de situação (situation reports) da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de casos na população coreana não atingia nem a marca de 11 mil.
Já o Japão soma mais de 13 mil casos. A Alemanha, apesar do grande número de casos - mais de 155 mil -, possui uma quantidade pequena de mortes, se comparada a outro países com número de casos próximos ou superiores.
Esses três países possuem algo em comum: todos trabalham para identificar pessoas suspeitas e infectadas, além de encontrar regiões de alto risco de contaminação. Esses grupos de indivíduos e lugares foram rapidamente isolados, prevenindo a multiplicação veloz do vírus e o grande número de mortes.
As autoridades alemãs, por exemplo, afirmaram que o país tinha a capacidade de 160 mil testagens por semana. Já na Coreia do Sul, os testes também foram massificados e o país tinha capacidade de fazer 10 mil exames de identificação por dia.
Esses são alguns exemplos de como a identificação de casos em massa é fundamental tanto para combater a doença, quanto para retornar as atividades de forma segura, sem prejudicar a população, principalmente os grupos de risco. A contaminação existe, mas controlá-la é obrigação dos chefes de Estado.
Se o Espírito Santo deseja retomar a atividade comercial, não há caminho fácil: testes precisam ser aplicados em massa, dados e empresas vulneráveis devem ser monitorados e o sistema de saúde deve ser reforçado. Caso contrário, possivelmente a quarentena generalizada voltará a ser realidade para os capixabas.

Luan Sperandio

É editor-chefe da Apex Partners. Neste espaço, faz análise de dados, evidências e literatura

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