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Coronavírus

Entenda por que o ES pode crescer mais do que o Brasil após a pandemia

Uma atuação mais robusta por parte do governo do Estado para mitigar os efeitos dessa crise apenas foi possível em virtude das políticas de austeridade dos últimos anos. É o oposto do cenário que vemos na maior parte do país

Públicado em 

16 abr 2020 às 05:00
Luan Sperandio

Colunista

Luan Sperandio

O Palácio Anchieta já foi residência dos jesuítas
Atuação do Palácio Anchieta (governo no Estado) pode fazer a diferença no pós-pandemia Crédito: Setur
Após a pandemia do coronavírus, o Espírito Santo pode se destacar em crescimento econômico e desenvolvimento humano em relação ao cenário nacional. Afinal, não é novidade que o ambiente de negócios no Brasil dificulta a geração de riqueza e prosperidade econômica. Nossa tragédia econômica é apontada por diversos estudos, levantamentos e indicadores internacionais.
Por exemplo, no Ranking de Facilidade de se Fazer Negócios do Banco Mundial, o Brasil está atualmente apenas no 124ª lugar entre 190 países. No levantamento de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial, o Brasil está na 71º posição entre 141 países. Já no Ranking de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, ocupamos somente a 144º posição entre 180 nações.
A despeito disso, o Espírito Santo é uma “Ilha de Liberdade” entre dezenas de entes federativos assolados em caos fiscal, má infraestrutura e demais fatores que dificultam oportunidades de negócios.
Uma década de políticas estaduais de austeridade foram fundamentais para que o Estado conquistasse esse posto porque há uma forte relação entre responsabilidade fiscal nas contas públicas e prosperidade no ambiente de negócios. Por vários anos, “o Estado da moqueca” também ficou conhecido como o único a ser Nota A no Tesouro Nacional. Isso propiciou um melhor desenvolvimento do setor empresarial capixaba, impulsionado cada vez mais por um proeminente mercado de capitais no Estado.
Vamos a alguns dados: no Índice Mackenzie de Liberdade Econômica Estadual, o Espírito Santo está na segunda colocação. O índice avalia o tamanho do governo, a tributação e o mercado de trabalho.
Já no ranking de competitividade entre os Estados, o Espírito Santo está na sexta colocação, se destacando principalmente pela eficiência da máquina pública, sustentabilidade fiscal, além de infraestrutura, educação, sustentabilidade ambiental, sustentabilidade social e segurança pública: sempre entre os dez melhores do país nestes indicadores.
A capital Vitória também se destaca em índices como o Ranking Geral Connected Smart Cities, que mede quais são as cidades mais inteligentes do Brasil: entre as três do país.
Já no Índice das Cidades Empreendedoras elaborado pela Endeavor, Vitória também está na terceira colocação, com destaque especial para a colocação obtida em infraestrutura e para o capital humano encontrado na capital.
É inegável que a crise de saúde provocada pelo coronavírus possui fortes impactos na economia. Nela, é fundamental políticas públicas que amenizem os impactos entre a população mais vulnerável e entre o setor empresarial a fim de evitar que tenhamos uma crise social mais grave. Vale ressaltar que uma atuação mais robusta por parte do governo do Estado para mitigar os efeitos dessa crise apenas foi possível em virtude das políticas de austeridade dos últimos anos. É o oposto do cenário que vemos na maior parte do país.
Os fundamentos econômicos e sociais evidenciados pelos indicadores listados aqui foram conquistados a partir de uma visão de longo prazo adotada na última década. O legado deste trabalho que proporciona boas expectativas para o Espírito Santo no pós-coronavírus.

Luan Sperandio

É editor-chefe da Apex Partners. Neste espaço, faz análise de dados, evidências e literatura

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