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É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

O que esperar da economia capixaba neste ano em em 2021?

É previsível que o PIB capixaba neste ano tenha um desempenho pior do que o PIB nacional. No entanto, é muito provável que em 2021 a retomada da economia capixaba ocorra com maior intensidade

Publicado em 02/05/2020 às 05h00
Atualizado em 02/05/2020 às 05h00
Navio no Porto de Vitória
Porto de Vitória: economia capixaba sente o impacto da retração mundial devido ao coronavírus. Crédito: Carlos Alberto Silva

Ainda é cedo para fazer prognósticos mais acurados sobre como reagirá a economia capixaba até o final deste ano, marcado pela  pandemia, ou mesmo no próximo ano. Primeiro porque teremos que conviver com a Covid-19 por um período mais longo do que o desejado e esperado. Por outro lado, temos que contar com um período de aprendizado de convivência das pessoas e dos negócios com um inimigo invisível. Mas, mesmo assim, não podemos furtar ao exercício de projeção de cenários.

O mercado em geral e as instituições internacionais estão apontando para quedas das atividades econômicas em escala global e com perdas maiores para países emergentes, dentre os quais o Brasil. O Fundo Monetário Internacional projeta uma redução do PIB mundial em 3%, porém, com retomada já positiva em 2021, podendo chegar a 5%. Para o Brasil, o BID aponta para uma queda de 5,3%. Já a projeção da Focus, a mais recente, projeta queda de 3,34%. Este último número, sem dúvida, já carregando um certo otimismo.

O certo é que teremos um ano ruim, mesmo com a queda amortecida pelas medidas já em curso, como o gigantesco impulso fiscal. O impulso fiscal deverá chegar a 5,5% do PIB. Mas também elevará o déficit primário para 8% do PIB e a dívida pública próxima a 90%. Algo nunca antes ocorrido. Quando em 2009 a economia brasileira foi atropelada pela “marolinha”, o impulso fiscal que fez a economia brasileira sair de -0,1% para 7,5% foi de apenas 1,5% do PIB, e com reduzido impacto sobre o déficit primário e a dívida pública.

Naquele ano, o PIB capixaba despencou 6,7%. Um recorde histórico. Mas, no ano seguinte, ajudado pelas commodities deu um salto de 15,2%. Não é este, porém, o cenário que se projeta para 2020, pois o efeito commodities agora opera no sentido contrário, à exceção da celulose. As demais commodities já estão operando em queda: petróleo, aço e minério de ferro.

Nesse cenário, é previsível que o PIB capixaba tenha um desempenho pior do que o PIB nacional. No entanto, é muito provável que em 2021 a retomada da economia capixaba ocorra com maior intensidade. Não na dimensão do ocorrido em 2010, pois a economia mundial ainda estará em convalescença da Covid-19 e, por consequência, em estágios diferenciados de retomada.

É importante ressaltar que em relação à economia capixaba, em praticamente todos os eventos de crise ou forte crescimento, especialmente envolvendo as commodities exportáveis, a massa de renda disponível tem variado proporcionalmente menos do que o PIB. Isso aconteceu, por exemplo, em 2009 e 2010, e também em 2015 e 2016. É muito provável que aconteça em 2020.

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