Numa guerra normal, e até certo ponto comum, como tantas podemos observar na história da humanidade, os contentores, lado a lado, são conhecidos e visíveis. Como também suas capacidades de destruição material e imaterial. Assim foram, por exemplo, as duas guerras mundiais do século XX, atendo-nos às mais próximas. Não é, no entanto, esse tipo de guerra que a humanidade enfrenta hoje, mas sim uma guerra contra um inimigo declaradamente único, porém invisível, a Covid-19
Num estágio civilizatório em que já vem se tornando até comum falar-se em novos tipos de guerra, como a guerra cibernética, por exemplo, que é travada num mundo virtual e, consequentemente, sem mortes físicas, a guerra que se trava no momento contra a Covid-19 pega a humanidade simplesmente de roldão e despreparada. Utilizando táticas que se assemelham à guerrilhas, esse inimigo invisível, operando em escala global, carrega um poder destrutivo que poderá ser devastador, sobretudo para o mundo da economia.
Diferentemente do que acontece nas guerras convencionais, onde o poder destrutivo recai principalmente sobre infraestruturas físicas, basta lembrarmo-nos da Segunda Guerra Mundial, além naturalmente de perdas humanas, o inimigo invisível contra o qual estamos guerreando hoje abala e convulsiona o sistema econômico e social, numa escala sem precedentes na história. Demandará, ao final do embate, uma brutal tarefa de reconstrução. Algo como um Plano Marshall de recuperação em escala global.
Trata-se de uma guerra que não destrói fábricas, rodovias, portos, aeroportos, ruas, residências ou qualquer estrutura física ou equipamento. No entanto, aniquila, enfraquece e, em muitos casos, destrói componentes e processos na produção e circulação de riquezas. Ainda não há como antecipar-se com cálculos, mesmo que aproximados, dos impactos negativos nas atividades econômicas globais, nas regiões e em países específicos. Dependerá das evoluções das curvas de disseminação dos efeitos destrutivos do inimigo invisível.
"O inimigo invisível contra o qual estamos guerreando hoje abala e convulsiona o sistema econômico e social, numa escala sem precedentes na história. Demandará, ao final do embate, uma brutal tarefa de reconstrução"
Essa característica, no entanto, nos submete a dilemas e desafios completamente diferentes daqueles enfrentados em guerras convencionais. A reconstrução dos estragos provocados pela Segunda Guerra Mundial, por exemplo, promoveram um vertiginoso e duradouro crescimento econômico. O que teremos que fazer agora? De uma coisa podemos ter certeza: requererá um esforço global.