Embora ainda apresentando intensidade razoável, desde o segundo trimestre do ano passado a economia mundial dava sinais de desaceleração. Neste cenário, o comércio exterior capixaba sofreu queda de 19,83% em fevereiro de 2020 ante janeiro. Recuaram tanto as exportações (- 15,08%, apesar da favorabilidade do dólar) quanto as importações (-24,37%, refletindo dificuldades de crescimento do mercado interno).
E olha que a culpa desse fiasco não pode ser atribuída tão fortemente ao coronavírus. Afinal, nos dois primeiros meses do ano, a economia internacional ainda não tinha sido prejudicada na proporção que ocorre atualmente, deixando o planeta atônito.
O pior é que se trata do terceiro mês consecutivo de baixa do comércio exterior capixaba, causando grande preocupação em relação ao desempenho do PIB estadual. Em termos de Brasil, também registrou-se queda em fevereiro (-3,47%) puxada pelo despencar das importações (-18,03%). Na comparação com fevereiro de 2919, as transações internacionais capixabas também afundaram: exportações -15,91% e importações -4,60%, de acordo com dados levantados pelo Instituto Jones dos Santos Neves.
Este quadro deixa bem claro: o primeiro bimestre foi perdido para o comércio capixaba com o mundo. Destinatários dos produtos embarcados por aqui estão comprando menos. No acumulado dos dois primeiros meses de 2020, as exportações pelo Espírito Santo caíram de modo muito acentuado (-33,79%), enquanto as importações diminuíram, totalizando -3,53%.
E se antes do coronavírus não tínhamos tanta competitividade para avançar em novas praças, muito menos agora com a redução do dinamismo do comércio internacional. A ONU alerta que uma recessão global é praticamente certa. Está se configurando. E estima que em decorrência da pandemia, os trabalhadores em todo o mundo poderão perder US$ 3,4 trilhões de receita neste ano - uma catástrofe sem precedentes na história.