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Economia

Análise ' Em tempos de coronavírus, redução da Selic tem pouco efeito

A taxa Selic foi reduzida de 4,25% para 3,75%. 'Há uma desarmonia entre os poderes republicanos, fuga de capitais e incerteza quanto ao que será o mundo pós coronavírus'

Publicado em 18 de Março de 2020 às 18:53

Redação de A Gazeta

Publicado em 

18 mar 2020 às 18:53
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic (a taxa básica de juros) para 3,75% Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil
Antonio Marcus Machado*
Nem o melhor dos cenaristas, os construtores de um futuro possível, imaginaria uma situação em que os bancos centrais, seja de países desenvolvidos ou em desenvolvimento, estariam com suas taxas bem próximo de zero ou até negativas. Nassim Taleb, em seu livro A Lógica do Cisne Negro, trabalha bem a questão da imponderabilidade e seus impactos nos mercados econômicos. E como ela nos surpreende apesar de toda a competência de ferramentas como estatística avançada, econometria e engenharia financeira.
Quando se toma decisões de redução de taxas de juros referenciais, como a Selic, por questões de estratégia de crescimento econômico, como propõe a atual equipe econômica desde o ano passado, ela é uma variável sob controle. E, assim, trata-se de algo intencional, com o objetivo definido de elevar o nível de investimento.
Infelizmente, não é o caso, agora. Seja pelo coronavírus, seja pelo jogo geopolítico entre Estados Unidos, Irã China e Rússia, seja  pela fragilidade da União Europeia com o Brexit, o objetivo agora é tentar deter o agravamento da economia global, que nos levará, caso nada seja feito, a uma das mais impressionantes crises de natureza econômica e social. E pior, com exponenciação da desigualdade social.
De forma coerente com uma política econômica liberal, a Selic reduziu-se fortemente e assim continua, seguindo a trilha das maiores economias globais. Entretanto, penso eu, pouco efeito fará, visto que há uma desarmonia entre os poderes republicanos, fuga de capitais e incerteza quanto ao que será o mundo pós coronavírus. Em que o futuro não será mais tão previsível como era antes.
*Antônio Marcus Machado é economista e professor universitário
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