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Reflexos

Reação da economia depende de medidas ágeis e fortes

No caso do Espírito Santo, será a continuação da recessão de 2019 - ainda não anunciada oficialmente, mas observada com muita nitidez no meio empresarial

Publicado em 20 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

20 mar 2020 às 05:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

Governo anuncia medidas para tentar amenizar os efeitos do coronavírus na economia Crédito: Pixabay
Em meio à pandemia do coronavírus, o Banco Central cortou a Selic em 0,5 ponto percentual. Caiu para 3,75% ao ano. Milhões de brasileiros jamais imaginaram patamar tão baixo. Mas o que adianta cortar juros em cenário econômico disfuncional, desencontrado (em termos de preços), e atônito? Os Estados Unidos, a Austrália, a Malásia, Nova Zelândia e etc também reduziram os juros. Aliás, entre 15 países, o Brasil é o que mais cortou a taxa básica de juros. E daí?
A pergunta, direta na veia, dói mas permanece: o que adianta cortar juros com a economia quase parando? Secamente, a resposta é: se não cortar os juros, o cenário piora. Muitas empresas com tendência a quebrar no futuro quebrariam agora, imediatamente. O avanço do desemprego se tornaria mais célere.
A resposta também inclui duas certezas: uma é que o Banco Central não vai comandar o processo de enfrentamento, embora tenha papel muito relevante; outra é que o governo central precisa intensificar a artilharia e usar chumbo mais grosso para conter a corrosão de muitas atividades e para aliviar o clima de intensa aflição social. O coronavírus pode acabar com 25 milhões de emprego no mundo, segundo relatório da ONU. E no Brasil, quantos?
A economia depende de agilidade para melhorar a eficácia das medidas. Esforço contra-cíclico precisa ser ágil. O estado de calamidade pública derruba barreiras e permite velocidade maior. Brasília anunciou um coquetel de medidas visando a injetar R$ 147 bilhões no dia a dia do país: antecipação do 13º salário dos aposentados e pensionistas do INSS, antecipação do abono salarial e adiamento do pagamento de impostos e dívidas. Neste momento, tudo isso é importante, sem dúvida. Porém, alastrou-se a sensação de que é preciso fazer mais. A gravidade do problema exige.
Muitas pessoas estão deixando de andar nas ruas. Cidades começam a ficar desertas. Lojas às moscas. Pequenas e microempresas cerram as portas. São frágeis. Outras, respiram por aparelho, mas nem há aparelhos para todas. Economicamente, o ano de 2020 está perdido. Um tsunami destroçou todas as projeções. Até a mais pessimistas ficaram piores. Vem aí a recessão, embora o país não tenha se recuperado da anterior, o que potencializa problemas. No caso do Espírito Santo, será a continuação da recessão de 2019 - ainda não anunciada oficialmente, mas observada com muita nitidez no meio empresarial.
Novas armas orçamentárias e tributárias devem ser acionadas agora, sem esperar situação mais crítica. Sabe-se que a receita orçamentária está se retraindo, enquanto as despesas do governo sobem em função do acréscimo de gastos com a saúde pública. Todavia, essa combinação de fatores não pode impedir ações mais ousadas e eficazes para amenizar o drama econômico.
A meta de déficit primário que era de R$ 124,1 vi neste ano, conforme o Orçamento aprovado pelo Congresso, já foi para o espaço. Que cresça o quanto necessário para geração de renda e proteção social.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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