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Turbulência

Pânico global provocou efeito manada na economia e efeito maior no Brasil

No Brasil, o efeito manada foi maior do que na média de outros países. Isso porque aqui tivemos a confluência de três fatores: o “estado de confiança” interno debilitado, o Covid–19 e a queda abrupta do preço do petróleo

Públicado em 

14 mar 2020 às 05:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Produção de petróleo: preço do produto teve forte queda no mundo Crédito: Petrobras/Divulgação
A percepção de pânico global que surpreendeu o mundo nesta semana fez emergir com força o efeito “manada” na economia, este também em escala global. No Brasil, já se pressentia que algo não ia bem na semana anterior, quando investidores externos resolveram dar outros destinos a cerca de R$ 44 bilhões investidos no mercado financeiro.
Mas, até aí, as motivações para tanto estavam mais vinculadas às fragilidades internas do que a fatores externos. Já nesta semana, tivemos adicionalmente uma fonte externa de desestabilização que fez fluir o ambiente econômico para um estado de pânico.
Um estado de pânico é caracterizado por perda generalizada de referenciais que orientam as decisões, sobretudo aquelas de natureza econômica, normalmente mais sensíveis às anormalidades e instabilidades. É quando acontece o que podemos denominar de fenômeno da “liquefação” de ativos financeiros. Estes praticamente “derretem” e sofrem fortes quedas em seus valores.
E pânico é campo fértil para a proliferação do efeito “manada”, que é quando, na contramão da racionalidade, a maioria dos agentes decidem ir numa mesma direção, ou seja, desfazendo-se dos ativos em queda. Só que, ao fazerem isso, aceleram ainda mais o processo de “liquefação”.
No Brasil, o efeito manada foi maior do que na média de outros países. Isso porque aqui tivemos a confluência de três fatores: o “estado de confiança” interno debilitado, o Covid–19 e a queda abrupta do preço do petróleo. Naturalmente, estaríamos em melhores condições de enfrentamento dos fatores externos se pudéssemos contar com um “estado de confiança” mais fortalecido, internamente. Teríamos melhores condições de proceder políticas de amortecimento.
Resta-nos, agora, pensar no que fazer em situação como esta. Aliás, tivemos muitas situações parecidas no passado. E em várias delas em condições até piores para enfrentá-las. Nesse aspecto, já somos calejados. Porém, nosso aprendizado com esse passado parece não nos favorecer tanto, no momento.
Enquanto perdura o pânico, não há como se trabalhar medidas salvadoras. Deve-se trabalhar, no entanto, em medidas que contribuam para a recuperação e melhoria do “estado de confiança”. E nesse campo desempenham papel crucial as instituições que integram a governança e governabilidade do país. O momento não está para beligerância, mas sim para cooperação, equilíbrio, moderação, cautela, tranquilidade e outras virtudes mais. Virtudes hoje escassas.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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