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Artigo de Opinião

Segurança

Na guerra atual, rivais lutam para desgastar governos e assustar o povo

Bombas atômicas são inúteis contra terroristas e espiões infiltrados, ou contra a guerra cibernética na internet

Públicado em 

28 jun 2019 às 18:50
Guerra do século 21
Henrique Geaquinto Herkenhoff e Denilson Gonçalves Lino*
Para entender o modo de atuação adotado pelas facções criminosas, é preciso um pouquinho de história militar.
Enquanto não surgiram armas de fogo mais precisas e mais rápidas de carregar, as batalhas eram basicamente corpo a corpo; havia vantagens em saber manobrar e escolher o terreno, mas em quase 90% dos casos o vencedor era simplesmente o exército maior, e isso durou basicamente até as guerras napoleônicas. Já a 1ª Guerra Mundial é o exemplo mais conhecido de conflito de 2ª geração: com metralhadoras e fuzis de repetição, não adiantava você mandar um exército maior avançar contra um inimigo entrincheirado e com mais poder de fogo.
A 2ª Guerra já estava na 3ª geração: com os tanques, aviões e navios desempenhando papel muito maior, a mobilidade passou a ser decisiva e os nazistas inventaram a blitz krieg (guerra-relâmpago); a invasão da Sicília e o desembarque na Normandia foram o troco. Maravilhosas fortificações, como a Linha Maginot, passaram a ser apenas um monumento à ineficiência.
A Guerra do Vietnã marcou uma 4ª geração de conflitos armados, cunhando-se a expressão “guerrilla”. Mais adiante, o terrorismo, a inteligência e a sabotagem, que também já estavam no rascunho do Velho Testamento, passaram a ocupar o lugar central, em vez de secundário.
Na verdade, a maioria dos confrontos não se dá mais entre dois exércitos regulares, fardados e profissionais; são conflitos internos de baixa intensidade. Bombas atômicas são inúteis contra terroristas e espiões infiltrados em seu próprio território, ou contra a guerra cibernética na internet. Essa guerra irregular e assimétrica (os antagonistas não usam as mesmas armas, táticas e estratégias), é, portanto, marcada por atentados terroristas e pequenas refregas seguidas de fugas imediatas.
O objetivo do seu adversário não é mais vencer grandes e decisivas batalhas campais, mas desgastar os governantes e assustar a população, gerando um estado de alerta permanente e, portanto, o desperdício de recursos e um estresse exasperado. No nosso caso, constantes enfrentamentos a tiros e, de vez em quando, incêndios a ônibus ou assassinato de autoridades públicas.
Como disse Bauman, o mal atualmente é liquefeito, está sempre mudando, e o mais importante não é deter o rio, mas identificar sua nascente e mapear o seu leito.
*Os autores são, respectivamente, professor do mestrado em Segurança Pública da UVV; capitão-tenente MB R2, ex-integrante do Grumec e mestre em Segurança Pública
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