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Efeitos do Covid-19

Distanciamento social é a arma para a contenção do coronavírus

Enquanto não se dispõe de nenhum antídoto que possa combater o novo vírus, a medida mais assertiva parece ser a de intensificação do distanciamento social entre as pessoas

Publicado em 21 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

21 mar 2020 às 05:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman Orlando Caliman
Pessoa em isolamento por conta do coronavírus: a melhor solução para prevenir o avanço da doença Crédito: Divulgação
Enquanto aqui no Brasil o mau exemplo vem do presidente Bolsonaro, que além do seu presidencialismo de “confronto” confronta o protocolo de contenção do covid-19 estabelecido pelo seu próprio governo, nos Estados Unidos, o seu guru máximo, Donald Trump, ao contrário, finalmente cai na real confinando-se no seu “bunker” e, ao mesmo tempo, adotando medidas mais fortes de contenção do avanço do vírus, inclusive assumindo o “distanciamento social” como estratégia.
Até o momento, enquanto não se dispõe de nenhum antídoto que possa combater o novo vírus, a medida mais assertiva parece ser a de intensificação do distanciamento social. Exemplos exitosos vem da China e Coreia do Sul, que já conseguiram reverter a escalada exponencial da sua propagação. A China, por exemplo, fechou o seu último hospital exclusivamente destinado a pacientes portadores do Covid-19, por conta da queda abrupta de novos casos.
Nos Estados Unidos, mesmo com reações contrárias de grupos de ativistas conservadores, a maioria dos quais apoiadores de Trump, medidas duras de distanciamento social estão sendo tomadas. O próprio Trump antecipou-se à perspectiva de uma recessão interna, bem como também sugere medidas que impeçam reuniões com mais de dez pessoas. Para quem até bem pouco tempo andava culpando a imprensa por gerar pânico nas pessoas, agora se curva às evidências, essas irrefutáveis.
No Brasil, à exceção de Bolsonaro e seus seguidores ideológicos mais radicais, parecem-nos adequadas as medidas que estão sendo tomadas, principalmente na área de saúde do próprio governo federal, sob o comando do ministro da Saúde; e também na economia, com Paulo Guedes.
Mas são os governadores a protagonizar com maior intensidade e agilidade medidas mais assertivas. Caso do Espírito Santo, que achou melhor seguir aquele ditado que diz que é melhor prevenir do que remediar e adianta-se no tempo, na intensidade, na abrangência e também numa visão sistêmica e integrada de medidas e intervenções de enfrentamento da crise.
Em síntese, em situações como esta, comprovadamente de alta gravidade, vale mais pecar por excessos do que por faltas. No outro extremo, está aí a comprovar o caso da Itália, que ao retardar por demais a adoção de medidas mais drásticas, agora se vê envolta em um verdadeiro caos.

Orlando Caliman

Orlando Caliman Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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