Já se passaram dois meses desde que o barbeiro Lázaro Ferreira, de 25 anos, e o atendente Eiglison Lopes, também de 25 anos, foram mortos a tiros durante um ataque no bairro Ulisses Guimarães, em Vila Velha. O crime aconteceu no dia 12 de março, quando criminosos passaram pela região efetuando disparos. Até o momento, a Polícia Civil não divulgou nenhuma prisão relacionada ao caso.
Questionada sobre o andamento das investigações, a corporação informou que o caso “segue sob investigação da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha e detalhes não serão divulgados". Ainda segundo a polícia, “as equipes estão atuando com afinco diariamente, com o objetivo de oferecer respostas aos familiares, não apenas deste caso, mas também de todos os inquéritos em andamento na unidade”.
Para os familiares, a falta de respostas aumenta ainda mais o sofrimento. “Meu filho estava passando de moto para ir comprar carne para o almoço. Estou aqui, noites sem dormir, noites chorando, não tive nenhum apoio, nenhum retorno do Estado”, desabafou Fernanda Souto, mãe de Eiglison.
O jovem foi atingido enquanto passava de motocicleta pela rua. Ele morava no bairro. Já Lázaro foi baleado no momento em que abria a própria barbearia.
Eiglison, que além de atendente trabalhava como entregador no contraturno, deixou uma filha de 5 anos. “Por que a polícia ainda não tomou uma atitude? Onde estava o patrulhamento daquela região no momento e por qual motivo não há câmeras de segurança no local já que lá é um bairro de alta criminalidade?”, questionou a mãe dele.
Medo e insegurança
No dia do crime, muitos comerciantes fecharam as portas na região. Um ônibus da linha 669, que faz o trajeto entre o Terminal de Itaparica e o bairro Village do Sol, foi parado na marginal da Rodovia do Sol, pouco depois do viaduto do bairro 23 de Maio, e depredado. Segundo relatos, cerca de cinco jovens cercaram o coletivo, obrigaram os passageiros a descer, apedrejaram as janelas e atearam fogo no interior do veículo. Policiais militares conseguiram impedir que as chamas se espalhassem.
Ônibus deixaram de circular
Por conta do clima de tensão, ônibus deixaram de circular na região desde a noite do dia do ataque. A operação foi retomada com normalização do itinerário na manhã seguinte.
Tensão começou dias antes
Segundo a Polícia Militar, a tensão entre as facções rivais na chamada Região 5 começou no início daquela semana. Um dia antes, um ataque a tiros no bairro 23 de Maio deixou duas pessoas baleadas. Horas depois, já durante a noite, houve outro registro de disparos de arma de fogo, desta vez no bairro Ulisses Guimarães.
Somente naquela semana, foram cinco ocorrências relacionadas ao tráfico de drogas na Região 5, deixando três mortos e três feridos.
Entenda
O que é a Região 5
De acordo com a Prefeitura de Vila Velha, formam a Região 5 os bairros: 23 de Maio, Balneário Ponta da Fruta, Barra do Jucu, Barramares, Brunela, Cidade da Barra, Interlagos, Interlagos I, Interlagos II, Jabaeté, João Goulart, Morada da Barra, Morada do Sol, Normília da Cunha, Nova Ponta da Fruta, Ponta da Fruta, Praia dos Recifes, Riviera da Barra, Santa Paula I, Santa Paula II, São Conrado, Terra Vermelha e Ulisses Guimarães.