Não sabemos ainda o quanto durará esta pandemia que assola o mundo. Que passará todos nós sabemos, como aliás aconteceu com todas as epidemias ocorridas na trajetória da humanidade. Muito provavelmente, diferentemente das outras, inclusive mais devastadoras do ponto de vista de vítimas humanas, como foi a Gripe Espanhola, esta agora carrega consigo um enorme poder disruptivo. Disruptivo do ponto de vista das relações sociais, do sistema produtivo, mas sobretudo no campo das políticas públicas preventivas e protetivas.
Esperamos que o aprendizado possa contribuir para que gradualmente se encurtem os ciclos mais tensos da pandemia. Já não faltam evidências em relação a erros e acertos. Tivemos a oportunidade de testemunhar desculpas por erros, como aconteceu na Itália. Também mudanças radicais de postura, mesmo sem mea-culpa, como nos Estados Unidos com Trump e no México com Obrador. Espero que aqui não venhamos a cometer desatinos, indo na contramão de tudo e de todos. Precisamos de serenidade, liderança, mais do que comando.
O que sabemos é que o desfecho de tudo, depois do terremoto, no “the day after”, estará inevitavelmente conectado com estratégias, decisões e ações em cada momento do tempo transcorrido. E nesse aspecto, o isolamento social enquanto estratégia parece-nos a mais adequada, inclusive podendo funcionar como amenizador do impacto no sistema econômico. Sem dúvida, o impacto imediato é enorme, podendo ter, no entanto, duração mais curta, e abrir espaço para a gestão do impacto na saúde.
Mas nada impede - ao contrário, é o que se recomenda -, que já se trabalhem estratégias, políticas e medidas cujos impactos poderão atuar no retorno da normalidade, do novo normal. Nos Estados Unidos, por exemplo, está se firmando um certo consenso em relação a grandes focos de atenção e ações, pelo menos vindo da ala tida como progressista.
Três macro focos estão sendo trabalhados: Investimentos em infraestrutura, segurança do trabalho e proteção à saúde. O primeiro, de natureza econômica e de impacto, cujo objetivo é animar a economia. O segundo intenta oferecer mecanismos mais eficientes de proteção ao trabalho. O terceiro trata uma questão que já tinha indicativos de avanço com programa Obama Care, visando à proteção à saúde.
É importante que aqui no Brasil também possamos avançar em frentes que poderão facilitar uma retomada da economia de forma mais célere, uma retomada em V e não e U. Para tanto é preciso que se prepare o país para investimentos, inicialmente concentrados na nossa precária infraestrutura. A grande liquidez de recursos ao final da pandemia estará em busca de hospedagem. O Brasil pode se transformar num desses hospedeiros. Portanto, temos que acelerar o ritmo das reformas e preparar o ambiente para o “day after”.