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Economia

Cortes no gasto público não resolvem crises econômicas

O Espírito Santo possui formas de garantir os recursos para investir em projetos já programados e em novos projetos que contribuam para o desenvolvimento econômico no território capixaba

Públicado em 

22 mai 2020 às 05:00
Aldren Vernersbach

Colunista

Aldren Vernersbach

O Palácio Anchieta já foi residência dos jesuítas
Palácio Anchieta, sede do governo do Estado Crédito: Setur
A pandemia do novo coronavírus levou à paralisação das atividades econômicas devido ao isolamento social imprescindível ao controle do contágio e proteção da população. O resultado é uma crise econômica sem precedentes, que já afeta variados setores, mas que pode ser contornada.
Qualquer crise na economia gera o aumento do risco dos investimentos, o que automaticamente provoca a retração da disposição do setor privado a investir, em sua maioria avesso aos riscos elevados, sem retorno garantido. Pesquisas já indicaram a queda abissal nas expectativas do empresariado brasileiro quanto à economia nos próximos meses. Portanto, aguardar investimentos do setor privado é um grande equívoco.
O agente econômico com o objetivo de gerar bem-estar e desenvolvimento é o Estado e, novamente, em mais uma crise caberá a ele assumir a função de estimular a economia, como já está sendo feito nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, dentre tantos outros países que direcionam trilhões e bilhões de recursos à economia, consubstanciados em investimentos.
A crise será diferente em cada nação, Estado e região do planeta, com ação estatal em variados níveis para mitigá-la. Haverá diferenças na dimensão da crise e nas possibilidades de debelá-la, conforme: (1) condições orçamentárias do Estado; (2) capacidade estatal de investir; e (3) estrutura institucional anti-crise/anticíclica.
O Estado que possuir essas condições terá mais meios para investir, gerar demanda e iniciar a recuperação econômica. O Espírito Santo é o Estado da federação com essa possibilidade, uma vez que possui o orçamento organizado e grande capacidade de pagamento. Variadas formas de debelar a crise podem ser elaboradas pelo ES.
Deve haver cautela ao se falar de gigantescos “cortes” no gasto público, pois o ente dotado de capacidade para auxiliar a economia a retomar o crescimento é o Estado. O governo capixaba já informou que o investimento estatal é imprescindível para promover a recuperação econômica.
O Espírito Santo possui ainda uma estrutura institucional que lhe permite formular e implementar políticas anti-crise, que poderão ajudar o setor privado no curto prazo. O Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) e o Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) podem ser utilizados para criar mecanismos de estímulo à economia por meio de financiamentos. Essas instituições apresentam a sua importância e devem ser preservadas, pois há décadas são úteis ao interesse coletivo no Espírito Santo.
Quanto aos cortes, devem ser direcionados aos gastos que se mostram não essenciais e podem ser feitos adequadamente no curto prazo e, obviamente, sem comprometer qualquer função pública.
Os investimentos estatais precisam ser mantidos no médio e longo prazos. Novamente, a lógica econômica já demonstrou ao mundo que somente o Estado enfrentará os riscos e as incertezas que se impõem aos investimentos na crise. Inúmeras medidas podem ser formuladas para tornar a ação estatal mais eficiente ao consolidar esses investimentos.
O Espírito Santo possui formas de garantir os recursos para investir em projetos já programados e em novos projetos que contribuam para o desenvolvimento econômico no território capixaba.

Aldren Vernersbach

A economia capixaba tem espaço aqui, com textos do economista, pesquisador e consultor, vinculado ao Instituto de Economia da UFRJ, membro do GEE, economista-membro da International Association for Energy Economics (IAEE) e do Institute for New Economic Thinking (INET)

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