O barco global da economia afundou. Mas, no Espírito Santo, não foi o coronavírus que tirou o fôlego da indústria. Obviamente agravou, e dificultará saídas. Com isso, agigantou-se o desafio que a atormenta há alguns anos: ocupar a capacidade ociosa das empresas.
Dados do IBGE mostram que a produção industrial capixaba caiu 13,3% no primeiro trimestre de 2020 comparado ao mesmo período do ano passado. Disparado o pior resultado do Brasil. Na média entre Estados, o recuo não passa de 1,7%. Não é a primeira vez que esse descarrilar atinge a economia local. Em 2019, a produção fabril capixaba despencou feio: - 15,7%, o desempenho estadual mais doloroso visto no país. Buraco quase três vezes maior do que o do segundo maior, registrado em Minas Gerais (-5,6%), muito dependente - como o Espírito Santo - das exportações de minério de ferro.
Registre-se que a diminuição de 15,7% aparece na comparação com 2018, que também sofreu queda na produção: -1,7%. Portanto, quando o coronavírus chegou, a indústria do Espírito Santo já estava em recessão há dois anos. E ainda não havia se recuperado totalmente do grande desastre de 2016, quando definhou 18,7%. Em 2020, completam-se cinco anos de inquietante tempestade sobre o parque industrial capixaba, amontoando danos. Há poucas exceções setoriais, nestes anos, dentre elas as atividades ligadas a petróleo e gás.
Na comparação dos números da indústria geral em março de 2020 com o mesmo mês do ano passado, observa-se redução de 14,2% na produção capixaba. Houve forte contração na metalurgia (-31,4%), nas atividades extrativas (-18,6%) e na produção de minerais não-metálicos (-10,2%), todos de grande importância no contexto econômico estadual.
O reflexo da pandemia se faz presente tanto nos negócios internacionais (as exportações do Estado recuaram 23,7% no primeiro trimestre deste ano) como no mercado interno, semiparalisado em função do isolamento social, que implica renda menor no bolso da população e, portanto, desaceleração do consumo. O comércio capixaba já perdeu mais de R$ 3 bilhões em vendas, de março até agora. Isso significa que as encomendas das lojas às indústrias também murcharam.
Vale acentuar que a resposta industrial à conjuntura do momento é limitada. Poucas atividades têm condições (e perfil) para modificar a linha de produção visando a atender às demandas prementes de equipamentos médico-hospitalares e outros. E isso não iria repor as perdas acumuladas em 2020 e em anos anteriores.