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Medidas para a recuperação econômica do ES na crise que se aproxima

Determinadas ações podem promover efeitos mais rápidos na economia dentro de um plano de recuperação econômica capixaba

Publicado em 27 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

27 mar 2020 às 05:00
Aldren Vernersbach

Colunista

Aldren Vernersbach

Dinheiro
Criação e expansão das linhas de crédito tornam-se um dispositivo de sustentação das atividades das empresas Crédito: Pixabay
Nesse momento, o mundo, o Brasil e o Espírito Santo estão diante de duas crises que já se iniciaram: a humanitária e a econômica. A pandemia do novo coronavírus, patógeno que provoca a Covid-19, e as medidas imprescindíveis para salvar vidas, provocarão a desaceleração da economia. A saúde da população é a prioridade e a recuperação econômica deve ser planejada para garantir renda aos brasileiros e, posteriormente, a geração de empregos.
O gasto público mostra-se como a solução para aumentar a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e cuidar da população – prioridade máxima – e fazer a manutenção dos empregos, salários e investimentos do setor privado, auxiliando a acelerar a recuperação econômica após a atual paralisação da economia global.
O governo federal está propondo medidas que permitirão a transferência de renda direta à população (a renda básica perene é a melhor opção) e o repasse de recursos aos Estados, já tendo afirmado que concederá inicialmente cerca de R$ 85 bilhões para investimentos na saúde e sustentação das economias regionais.
Importante destacar que a transferência direta de renda para a população é a medida mais urgente a ser tomada pelo governo federal. Aqui, vou me ater às medidas que podem ser tomadas pelo governo capixaba para estimular a economia.
Como já propus em análises anteriores que abordaram a necessidade de um plano para o desenvolvimento do Espírito Santo, a priorização dos setores econômicos tradicionais do estado é uma das medidas que podem acelerar o crescimento econômico e que, agora, podem servir de alavanca para a recuperação em momento de crise. Essas indústrias tradicionais (rochas ornamentais, cafeicultura, agricultura, indústria alimentícia) possuem cadeias produtivas consolidadas e bem desenvolvidas por terem as suas atividades realizadas há décadas em diversos municípios do Estado e por pertencerem a segmentos que produzem bens essenciais.
A facilitação de crédito às empresas desses setores, o apoio à reestruturação da sua produção (absorção de tecnologias digitais) e a busca por novos mercados poderão fortalecer essas atividades e a sua expansão. Os bancos públicos do ES, o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) e o Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) podem ser utilizados para financiar investimentos desses segmentos em tecnologia e aumento da produção.
A criação e expansão das linhas de crédito tornam-se um dispositivo de sustentação das atividades das empresas e, consequentemente, dos empregos. Parte dos recursos federais a serem recebidos podem beneficiar esses setores por meio de programas de oferta de capital às suas empresas e investimentos em ciência e tecnologia.
Outra medida é criar um programa amplo para tornar as empresas capixabas exportadoras, com capacidade de vender seus produtos a outros Estados e países, não ficando restritas ao mercado interno. O auxílio à identificação de mercados com propensos clientes e o apoio às empresas para que se tornem capacitadas para exportar é a tarefa que pode ser feita pelo governo capixaba utilizando também os recursos federais.
Os investimentos em infraestrutura, com a criação de parcerias público-privadas tornam-se nesse momento uma das formas mais eficientes de alavancar a economia estadual e contribuir para a elevação da competitividade do Espírito Santo, atraindo mais investimentos, criando um círculo de desenvolvimento autoalimentado.
Nesse sentido, o gasto público conjunto com investimentos de empresas privadas em projetos estruturantes (estradas, pontes, novos modais logísticos, obras urbanas, centros de tecnologia) é uma solução para gerar demanda para o setor produtivo e criar empregos para os capixabas.
A Região Metropolitana de Vitória (perímetro que concentra a população capixaba) é uma área urbana que necessita de inúmeros investimentos em mobilidade (metrô, novas vias rodoviárias, túneis, infraestrutura para tecnologias digitais) e saneamento (infraestrutura para esgoto e distribuição de água), podendo receber parte dos recursos federais para a execução desses projetos.
Recapitulando, as medidas que podem ser adotadas para permitir a rápida recuperação econômica no ES por meio do gasto público com recursos federais e estaduais são: 1) apoio aos setores tradicionais; 2) auxílio para tornar as empresas capixabas exportadoras; 3) investimento amplo em todos os tipos de infraestrutura.
Essas medidas podem servir para a busca de novos mercados para os produtos capixabas, aumento da competitividade do Estado e avanços tecnológicos sustentados.
Diante da grande crise provocada pela pandemia, mas que pode ser mitigada, é extremamente urgente que o governo estadual formule programas que implementem mecanismos que injetem os recursos federais a serem recebidos na economia do Espírito Santo, possibilitando a sustentação do crescimento e o bem-estar da população.

Aldren Vernersbach

A economia capixaba tem espaço aqui, com textos do economista, pesquisador e consultor, vinculado ao Instituto de Economia da UFRJ, membro do GEE, economista-membro da International Association for Energy Economics (IAEE) e do Institute for New Economic Thinking (INET)

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