Vivemos um momento dramático com a evolução do coronavírus. Governos e prefeituras estruturam a rede de saúde para o aumento da demanda e adotam medidas para a sobrevivência de empresas e empregos. A sociedade se mobiliza em ações de solidariedade.
Em paralelo, o país precisa se organizar para a profunda crise econômica que se seguirá. O FMI já comparou a crise à Grande Depressão de 1930, prevendo uma retração da economia mundial de 3% e, da brasileira, de 5,3%. A recessão atinge o Brasil e o Espírito Santo em situação ainda mais grave do que a do resto do mundo, o que significa que teremos que trabalhar mais.
O Brasil mal tinha se recuperado de outro grave período recessivo, com retração do PIB de -3,5% e -3,3% em 2015 e 2016. O desempenho do ES foi ainda pior, com queda -5,2% em 2016 e outra de -2,0% no ano passado. A pandemia vai passar, e precisamos nos preparar para, lá na frente, sairmos em condições mais competitivas em relação ao mercado global. Para isso, nossas lideranças políticas devem deslanchar uma intensa agenda de reformas e mudanças em marcos regulatórios, deixando de lado disputas menores.
As reformas nos ajudarão a atravessar o atoleiro. A taxa de desemprego fechou o primeiro trimestre em 12,2%, índice que pode dobrar, segundo estimativas do próprio governo. Ou seja, podemos fechar o ano com cerca de 25 milhões de desempregados, uma tragédia. O receituário é conhecido: uma reforma administrativa, para reduzir o custo do Estado e torná-lo mais eficiente, e uma reforma tributária, para simplificar a arrecadação. Devemos declarar guerra à burocracia, que dificulta a operação das empresas e favorece a corrupção.
O país deverá ainda promover privatizações e estimular investimentos em infraestrutura. Em março, em nome da Federação das Indústrias do ES, enviamos ofícios a nossa bancada federal sugerindo a apreciação de uma série de medidas, como a nova lei do gás, os novos marcos regulatórios de ferrovias e do saneamento básico e a readequação da legislação ambiental, para assegurar maior previsibilidade e isenção técnica nas análises. Com a disputa política instalada no país, só teremos um perdedor: o brasileiro.
*O autor é presidente da Findes