Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Eleição 2024

Disputa pela Prefeitura da Serra pega fogo e tem até "banana" na Assembleia

São diversos os possíveis candidatos a suceder Sérgio Vidigal, se é que ele mesmo não vai tentar mais um mandato. E isso tem acirrado os ânimos no Legislativo do ES e em outras paragens

Públicado em 

21 mar 2023 às 10:33
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Deputado estadual Pablo Muribeca, de chapéu, olha para o deputado estadual Alexandre Xambinho durante sessão da Assembleia Legislativa
Deputado estadual Pablo Muribeca, de chapéu, olha para o deputado estadual Alexandre Xambinho durante sessão da Assembleia Legislativa Crédito: Lucas S. Costa/Ales
A eleição municipal ocorre apenas no ano que vem, mas os atores políticos movimentam-se desde já de olho na cadeira ocupada por Sérgio Vidigal (PDT). O pedetista está no quarto mandato à frente do Executivo municipal e já afirmou, em entrevistas, que não pensa em tentar a reeleição.
Isso não quer dizer que ele, realmente, não vai aparecer nas urnas em 2024, mas a perspectiva do fim da era de revezamento entre Vidigal e Audifax Barcelos (sem partido) no comando da cidade tem acirrado os ânimos. Há diversos candidatos a candidato. 
Audifax já declarou que não planeja concorrer a prefeito da Serra mais uma vez. Outra coisa que não podemos garantir.
Seja como for, no mínimo o ex-prefeito deve apoiar alguém, assim como Vidigal que, se não disputar, certamente vai querer emplacar o sucessor.
E eis que na Assembleia Legislativa do Espírito Santo há três deputados com base eleitoral no município: Alexandre Xambinho (PSC), Vandinho Leite (PSDB) e Pablo Muribeca (Patriota).
Na sessão de segunda-feira (20), Muribeca e Xambinho chegaram a falar em união para resolver os problemas do município.
O deputado do Patriota, porém, faz ferrenha oposição a Vidigal, inclusive da tribuna da Assembleia, e é um pretenso candidato a prefeito. O parlamentar do PSC, por sua vez, tenta amenizar as críticas feitas pelo colega ao atual chefe do Executivo municipal.
Os dois acabaram se estranhando em plenário. Não foi a primeira vez. Mas, agora, houve uma cena insólita:
Deputado estadual Pablo Muribeca faz
Deputado estadual Pablo Muribeca faz "banana" ao discursar na Assembleia Legislativa Crédito: Reprodução/TV Assembleia
Sim. Muribeca, usando o chapéu que adotou como marca, rebateu Xambinho com uma "banana", gesto feito com os braços.
O deputado do Patriota havia discursado, pouco antes, sobre os problemas na área da saúde municipal na Serra, tema que tem destacado frequentemente.
Ele apontou as filas que a população enfrenta nas Unidades de Pronto Atendimento, por exemplo, fez duras críticas à gestão e disse que o culpado "é o prefeito Antônio Sérgio Alves Vidigal".
Xambinho também discursou, em sequência: "Temos que procurar resolver o problema das UPAs da Serra, não apontar um culpado, botar o dedo na ferida e rodar".
"Muita gente confunde a necessidade do povo para fazer palanque eleitoral para tentar virar prefeito da cidade da Serra", alfinetou o deputado do PSC.
Foi então que, já ao final da sessão, Muribeca voltou à tribuna da Assembleia.
"É absurdo ver deputado pago com dinheiro público vir aqui defender político. Se você tem a solução, passa para o prefeito, ele é seu aliado imediato (...) Tive 22 mil votos, o dobro de vossa excelência na cidade", bradou o deputado do Patriota, dirigindo-se a Xambinho.
O tom do discurso de Muribeca foi dramático, com muitos gestos, elevação do tom de voz e frases como: "Não mexe com o homem que é usado por Deus para defender o povo, não" e "Eu sou um leão para defender o povo".
Não vou dizer que foi teatral, pois isso poderia ser interpretado como falso. O deputado parecia, realmente, indignado. Por fim, mandou essa: "Sai fora, pangaré! Aqui pro ceis, ó".
Foi aí que fez a "banana". 
Os deputados Hudson Leal (Republicanos) e Danilo Bahiense (PL), sentados à Mesa Diretora, parabenizaram Muribeca pelo discurso. "Essa é a verdadeira função do deputado, fiscalizar, não só legislar", ponderou Hudson.
Republicanos, PL e Patriota estão próximos na Serra. Todos contra Vidigal.
Deputado estadual Vandinho Leite
Deputado estadual Vandinho Leite Crédito: Ana Salles/Ales
Vandinho não participou da treta entre Muribeca e Xambinho, mas tem se movimentado.
Tentou presidir a Assembleia, o que lhe conferiria certa visibilidade para 2024. Uniu-se até à oposição ao governo Renato Casagrande (PSB) para atingir o objetivo, mas, por isso mesmo, foi tratorado pelo Palácio Anchieta, que emplacou Marcelo Santos (Podemos) no comando do Legislativo. 
Vandinho segue na base aliada. O PSDB tem o vice-governador, Ricardo Ferraço.
O  deputado tucano, contudo, nem sempre vota a favor dos projetos do Executivo estadual.
Prefere se alinhar à estratégia que adotou: exortar o "conservadorismo" e levantar bandeiras que podem causar "polêmica", viralizar nas redes sociais e aparecer em capas de sites de notícias. 
Vandinho, por exemplo, disse querer propor uma lei contra um tal curso que, segundo ele, ensina os homens "a serem menos machos". 
Fora da Assembleia, pretensos candidatos a prefeito da Serra também já se preparam para o pleito do ano que vem.
O vice-prefeito, Thiago Carreiro (União Brasil), já faz abertamente oposição ao pedetista. E compareceu ao evento do PL municipal, no dia 4 de março, em que o vereador Igor Elson, novo presidente do partido na cidade, fez duras críticas a Vidigal.
Igor Elson, aliás, não descarta disputar a prefeitura, se tiver viabilidade eleitoral e se for o nome escolhido pelo grupo. Ele foi secretário municipal na gestão de Audifax.
O vereador do PL, no evento do dia 4, que marcou sua ascensão na hierarquia do PL, deu a entender, em discurso, que homossexuais são "infames" e "anormais". Depois, disse que foi mal interpretado.
Ou seja, é mais um, além de Vandinho, que envereda pela "pauta de costumes" para conquistar o eleitor.
Via de regra, os "candidatos a candidato" para vencer Vidigal são de direita e apostam, alguns com mais ênfase outros com menos, nessa seara.
Pablo Muribeca, por exemplo, aplaudiu parte do discurso de Igor Elson em que o vereador falou sobre algo "anormal" e "infame" em relação ao fato de a Prefeitura da Serra ter promovido a Semana do Orgulho, com palestras voltadas à população LGBTQIA+.
E VIDIGAL?
Já escrevi aqui que estão "todos contra Vidigal". A ânsia é de que, desta vez, o pedetista não tente a reeleição e, na hipótese de ele tentar fazer o sucessor, o desgaste da gestão comece desde já.
Para Audifax, que é adversário político do atual prefeito, melhor que haja mesmo vários pré-candidatos, ainda que esses nomes se afunilem mais à frente. Assim, são várias "metralhadoras verbais" centradas em apenas um alvo.
O ex-prefeito tentou se eleger governador em 2022, teve um resultado tímido nas urnas e está na planície. Vidigal que é a vitrine.
Muribeca apontou, na sessão da Assembleia de segunda-feira, que Xambinho "quer ser o candidato de Vidigal".
Nos bastidores da política serrana há quem aposte no secretário de Turismo, Esporte e Cultura, Philipe Lemos (PDT), como o nome que receberia a bênção do prefeito na corrida de 2024.
Philipe negou, à coluna, ter assumido o cargo com pretensões eleitorais. Mas, verdade ou não, nem seria prudente que dissesse o contrário. 
AMARO NETO
O nome do deputado federal Amaro Neto (Republicanos) também é lembrado, correndo por fora, já que, em 2020, ele quase disputou a Prefeitura da Serra. Até transferiu o domicílio eleitoral para lá. 
O parlamentar, entretanto, diz não estar tratando desse assunto agora. O presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, afirmou à coluna que Amaro "pode ser candidato em qualquer cidade da Grande Vitória", mas frisou que o deputado não havia manifestado esse interesse ao partido. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Páscoa é a liberdade para todas as pessoas
Imagem de destaque
Chefe de polícia do ES é denunciado à PF por suspeita de coação a delegado
Imagem de destaque
A Guarderia é apenas ponta do iceberg

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados