Disputa pela Prefeitura da Serra pega fogo e tem até "banana" na Assembleia
Eleição 2024
Disputa pela Prefeitura da Serra pega fogo e tem até "banana" na Assembleia
São diversos os possíveis candidatos a suceder Sérgio Vidigal, se é que ele mesmo não vai tentar mais um mandato. E isso tem acirrado os ânimos no Legislativo do ES e em outras paragens
Deputado estadual Pablo Muribeca, de chapéu, olha para o deputado estadual Alexandre Xambinho durante sessão da Assembleia LegislativaCrédito: Lucas S. Costa/Ales
A eleição municipal ocorre apenas no ano que vem, mas os atores políticos movimentam-se desde já de olho na cadeira ocupada por Sérgio Vidigal (PDT). O pedetista está no quarto mandato à frente do Executivo municipal e já afirmou, em entrevistas, que não pensa em tentar a reeleição.
Isso não quer dizer que ele, realmente, não vai aparecer nas urnas em 2024, mas a perspectiva do fim da era de revezamento entre Vidigal e Audifax Barcelos (sem partido) no comando da cidade tem acirrado os ânimos. Há diversos candidatos a candidato.
Audifax já declarou que não planeja concorrer a prefeito da Serra mais uma vez. Outra coisa que não podemos garantir.
Seja como for, no mínimo o ex-prefeito deve apoiar alguém, assim como Vidigal que, se não disputar, certamente vai querer emplacar o sucessor.
E eis que na Assembleia Legislativa do Espírito Santo há três deputados com base eleitoral no município: Alexandre Xambinho (PSC), Vandinho Leite (PSDB) e Pablo Muribeca (Patriota).
Na sessão de segunda-feira (20), Muribeca e Xambinho chegaram a falar em união para resolver os problemas do município.
O deputado do Patriota, porém, faz ferrenha oposição a Vidigal, inclusive da tribuna da Assembleia, e é um pretenso candidato a prefeito. O parlamentar do PSC, por sua vez, tenta amenizar as críticas feitas pelo colega ao atual chefe do Executivo municipal.
Os dois acabaram se estranhando em plenário. Não foi a primeira vez. Mas, agora, houve uma cena insólita:
Deputado estadual Pablo Muribeca faz "banana" ao discursar na Assembleia LegislativaCrédito: Reprodução/TV Assembleia
Sim. Muribeca, usando o chapéu que adotou como marca, rebateu Xambinho com uma "banana", gesto feito com os braços.
O deputado do Patriota havia discursado, pouco antes, sobre os problemas na área da saúde municipal na Serra, tema que tem destacado frequentemente.
Ele apontou as filas que a população enfrenta nas Unidades de Pronto Atendimento, por exemplo, fez duras críticas à gestão e disse que o culpado "é o prefeito Antônio Sérgio Alves Vidigal".
Xambinho também discursou, em sequência: "Temos que procurar resolver o problema das UPAs da Serra, não apontar um culpado, botar o dedo na ferida e rodar".
"Muita gente confunde a necessidade do povo para fazer palanque eleitoral para tentar virar prefeito da cidade da Serra", alfinetou o deputado do PSC.
Foi então que, já ao final da sessão, Muribeca voltou à tribuna da Assembleia.
"É absurdo ver deputado pago com dinheiro público vir aqui defender político. Se você tem a solução, passa para o prefeito, ele é seu aliado imediato (...) Tive 22 mil votos, o dobro de vossa excelência na cidade", bradou o deputado do Patriota, dirigindo-se a Xambinho.
O tom do discurso de Muribeca foi dramático, com muitos gestos, elevação do tom de voz e frases como: "Não mexe com o homem que é usado por Deus para defender o povo, não" e "Eu sou um leão para defender o povo".
Não vou dizer que foi teatral, pois isso poderia ser interpretado como falso. O deputado parecia, realmente, indignado. Por fim, mandou essa: "Sai fora, pangaré! Aqui pro ceis, ó".
Foi aí que fez a "banana".
Os deputados Hudson Leal (Republicanos) e Danilo Bahiense (PL), sentados à Mesa Diretora, parabenizaram Muribeca pelo discurso. "Essa é a verdadeira função do deputado, fiscalizar, não só legislar", ponderou Hudson.
Republicanos, PL e Patriota estão próximos na Serra. Todos contra Vidigal.
Deputado estadual Vandinho LeiteCrédito: Ana Salles/Ales
Vandinho não participou da treta entre Muribeca e Xambinho, mas tem se movimentado.
Tentou presidir a Assembleia, o que lhe conferiria certa visibilidade para 2024. Uniu-se até à oposição ao governo Renato Casagrande (PSB) para atingir o objetivo, mas, por isso mesmo, foi tratorado pelo Palácio Anchieta, que emplacou Marcelo Santos (Podemos) no comando do Legislativo.
Vandinho segue na base aliada. O PSDB tem o vice-governador, Ricardo Ferraço.
O deputado tucano, contudo, nem sempre vota a favor dos projetos do Executivo estadual.
Prefere se alinhar à estratégia que adotou: exortar o "conservadorismo" e levantar bandeiras que podem causar "polêmica", viralizar nas redes sociais e aparecer em capas de sites de notícias.
Fora da Assembleia, pretensos candidatos a prefeito da Serra também já se preparam para o pleito do ano que vem.
O vice-prefeito, Thiago Carreiro (União Brasil), já faz abertamente oposição ao pedetista. E compareceu ao evento do PL municipal, no dia 4 de março, em que o vereador Igor Elson, novo presidente do partido na cidade, fez duras críticas a Vidigal.
Igor Elson, aliás, não descarta disputar a prefeitura, se tiver viabilidade eleitoral e se for o nome escolhido pelo grupo. Ele foi secretário municipal na gestão de Audifax.
O vereador do PL, no evento do dia 4, que marcou sua ascensão na hierarquia do PL, deu a entender, em discurso, que homossexuais são "infames" e "anormais". Depois, disse que foi mal interpretado.
Ou seja, é mais um, além de Vandinho, que envereda pela "pauta de costumes" para conquistar o eleitor.
Via de regra, os "candidatos a candidato" para vencer Vidigal são de direita e apostam, alguns com mais ênfase outros com menos, nessa seara.
Pablo Muribeca, por exemplo, aplaudiu parte do discurso de Igor Elson em que o vereador falou sobre algo "anormal" e "infame" em relação ao fato de a Prefeitura da Serra ter promovido a Semana do Orgulho, com palestras voltadas à população LGBTQIA+.
E VIDIGAL?
Já escrevi aqui que estão "todos contra Vidigal". A ânsia é de que, desta vez, o pedetista não tente a reeleição e, na hipótese de ele tentar fazer o sucessor, o desgaste da gestão comece desde já.
Para Audifax, que é adversário político do atual prefeito, melhor que haja mesmo vários pré-candidatos, ainda que esses nomes se afunilem mais à frente. Assim, são várias "metralhadoras verbais" centradas em apenas um alvo.
O ex-prefeito tentou se eleger governador em 2022, teve um resultado tímido nas urnas e está na planície. Vidigal que é a vitrine.
Muribeca apontou, na sessão da Assembleia de segunda-feira, que Xambinho "quer ser o candidato de Vidigal".
Nos bastidores da política serrana há quem aposte no secretário de Turismo, Esporte e Cultura, Philipe Lemos (PDT), como o nome que receberia a bênção do prefeito na corrida de 2024.
O nome do deputado federal Amaro Neto (Republicanos) também é lembrado, correndo por fora, já que, em 2020, ele quase disputou a Prefeitura da Serra. Até transferiu o domicílio eleitoral para lá.
O parlamentar, entretanto, diz não estar tratando desse assunto agora. O presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, afirmou à coluna que Amaro "pode ser candidato em qualquer cidade da Grande Vitória", mas frisou que o deputado não havia manifestado esse interesse ao partido.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.