“Os valores estão realmente invertidos!”. O indignado da vez é o
deputado estadual Vandinho Leite (PSDB), que acaba de assumir uma nova cruzada, agora contra um curso que se propõe a ensinar os homens a serem “menos machos”, realizado em São Paulo, segundo reportagem do UOL.
Em suas redes sociais, o tucano, citando o site Mundo Conservador, brada contra a “novidade” dos lados da pauliceia desvairada. “Precisamos combater e fazer um projeto de lei para evitar que essa atrocidade chegue em terras capixabas”, exorta o cruzado.
Segundo o deputado, a “classe masculina” tem sido alvo de muitos ataques “através de livros, palestras e cursos esdrúxulos como esse”. E deduz: “Eles querem na verdade homens frágeis, homens como bonecos de porcelana”.
“Se alguém não quer ser homem, o problema é dele, que se vire, mas colocar isso na sociedade, tentar impor essa ideologia de gênero para as nossas crianças, acho que é algo extremamente errado. A criança quando nasce, ela é ou menino ou menina”, sentenciou.
Segundo Vandinho, ele provavelmente vai protocolar uma lei na Assembleia Legislativa. “Minha assessoria está fundamentando tecnicamente a matéria para eu apresentar. A ideia é proibir esse curso no Estado utilizando recursos públicos ou em espaços públicos.”
O vídeo postado pelo parlamentar provocou reações contrárias e favoráveis dos seus seguidores no
Instagram. Um desses internautas criticou a mudança de foco do mandato.
“Sempre respeitei muito o trabalho do nobre deputado Vandinho Leite, acontece que nos últimos anos entrou no bonde errado da história e ao invés de se preocupar com os inúmeros problemas sociais do nosso povo, fica se preocupando com a sexualidade alheia.”
Mas teve gente que apoiou a indignação do tucano. “Senhor, cada dia que passa os valores familiares estão sendo descartados de [uma] forma horrorosa de ver. O mundo hoje está de uma forma que tenho até medo de pensar como será o futuro do meu filho.”
O curso de vulnerabilidade masculina, como é conhecido, foi criado em São Paulo e tem como objetivo atingir o estado vulnerável, e através da meditação, toques, carícias e terapias diversas despertar o lado mais sensível do homem, segundo o terapeuta Daniel Bittar, de 31 anos, o guia do grupo, em entrevista ao site Oeiras em Foco.
Todos se reúnem em uma mansão do bairro Sumarezinho, na Zona Oeste da
capital paulista, em local fechado e formado por um quarto também fechado para dar privacidade às práticas com nudez, e outro quarto envidraçado para as pessoas com roupa.
Segundo Bittar, de início, para atingir o estado vulnerável, o homem tem que se entregar às sensações e às emoções e permitir ser observado e ser tocado.
No local há registro de choros, gritos e até náuseas, característica comum segundo o terapeuta. "A maioria das atividades se faz de olhos fechados, permitindo pares com corpos e lábios colados. O egoísmo e o narcisismo fazem você se fechar", diz Bittar, que se quiser, futuramente, terá dificuldade de trazer esse curso para o ES. Qualquer coisa, fale com o Vandinho.