Livro, vídeo, leitura dramática? Pornográfico? E com apoio oficial? As últimas horas, na cidade de
Aracruz, têm sido marcadas por um intenso debate em torno da obra “Bastardo”, um projeto cultural homoerótico de autoria do escritor e compositor Apolo Bridgestone. A polêmica começou quando, nas redes sociais, o projeto foi criticado por ter recebido apoio oficial da Prefeitura de Aracruz.
Em nota publicada na manhã desta quinta-feira (6) em suas redes sociais, a prefeitura informa que a publicação do “livro pornográfico” (as aspas estão na postagem) recebeu o benefício concedido pelo Edital Emergencial da Cultura, com recursos da Lei Aldir Blanc, publicado em dezembro do ano passado. Portanto, ainda na gestão do ex-prefeito Jones Cavaglieri.
A assessoria da prefeitura disse que o projeto recebeu R$ 5 mil de ajuda oficial. Embora originalmente se trate de um livro no formato PDF, a própria administração atual, comandada pelo prefeito Dr. Coutinho, admitiu que a obra contemplada no final do ano passado é uma live.
A ex-secretária de Cultura de Aracruz, Flávia Cândida, também recorreu às redes sociais para argumentar que o processo seguiu todos os parâmetros legais. Ela diz que o projeto apresentado por Apolo Bridgestone foi contemplado no segmento “artes cênicas”, e não livro.
“Na apresentação do projeto, ele não descreveu o trabalho como pornográfico ou de cunho ilegal. Foi pautado na legalidade e pelos critérios da lei federal”, defende a ex-secretária, que afirmou que o projeto aprovado é relativo a um vídeo ou a uma live.
Ainda segundo Cândida, mais de 50 projetos foram aprovados pelo Edital Emergencial da Cultura, entre 26 e 30 de dezembro de 2020. Ela diz que a prestação de contas tem que ser feita pelos beneficiários em até 120 dias após o recebimento do recurso.
O livro “Bastardo” está sendo vendido na internet por R$ 78,90. No site, é descrito que é o primeiro projeto literário e artístico homoerótico de Apolo Bridgestone, “seguindo a linha de um estilo simples e bucólico, com fotos, desenhos e textos que retratam o erotismo e o sexo como algo comum e natural para um homem que não hesita em esconder seus mais primevos e intrínsecos desejos”.
Segundo informa ainda o site, o livro de 120 páginas foi lançado em formato PDF e contém 90 fotos coloridas, 44 poemas e 33 desenhos. “É uma obra que conduz o leitor a uma aventura literária e sexual que simboliza de forma intensa a relação direta entre indivíduo e natureza”, diz o texto.
Num vídeo publicado nas
redes sociais, Apolo reclama das críticas feitas ao trabalho dele: “Muitas pessoas gostaram, só que tem um grupo de pessoas que está menosprezando meu trabalho e agindo de má-fé e com preconceito muito forte. Estão falando que meu trabalho é pornográfico. Eu queria saber onde que uma leitura dramática é pornográfica”, questiona. Fiquei extremamente triste e chateado com isso”, complementa.
Nascido em Piúma, Apolo Bridgestone tem 37 anos e mora em Aracruz. Ele informa que tem formação em técnico em turismo e hotelaria, ator, modelo, produtor cultural e gestor em cultura. O artista diz na sua apresentação que foi abandonado pela mãe e acabou sendo criado pelos padrinhos, em um ambiente cristão.