Na semana retrasada, o
governador Renato Casagrande (PSB) foi inaugurar uma praça em
São José do Calçado, no extremo sul do Estado, e acabou conhecendo dona Maria, que mora em frente ao espaço. Natural de Irupi, ela é uma capixaba muito especial: nasceu no dia 17 de fevereiro de 1904, há exatos 119 anos.
“Já falei com dona Maria que quero beber dessa água”, brinca Casagrande, que tem 62 anos (só faltam 57!). “Muito bom poder ver de perto esse verdadeiro milagre. Cheia de vida e disposição”, constatou o governador.
Maria de Assis Miranda, seu nome de batismo, é viúva e mãe de 12 filhos, mas apenas um está vivo. Ao portal Aqui Notícias, em reportagem publicada há seis anos, dona Maria contou que é descendente de indígenas da tribo puri e lamentou ter sofrido preconceito e exploração.
“Trabalhei em fazendas onde meu pagamento era comida e um lugar para dormir”, lembrou, em tom de lamento, à repórter Danielle Muruci.
Dona Maria conta que tem o hábito de acordar cedo e preparar o café da manhã. Em seguida, limpa a casa, lava roupa e cuida da horta que tem no quintal.
Evangélica, costuma frequentar regularmente a igreja.
Viúva há quase 30 anos, a dona de casa conheceu seu único amor, Cândido Rangel Miranda, em Cachoeirinha do Rio Pardo, antiga denominação de
Irupi, na região do Caparaó. Depois de casados, foram morar em São José do Calçado, que na época era uma pequena vila conhecida como Chapadão.
O segredo para tanta longevidade? Dona Maria não atribui a vida tão longa à alimentação, mas diz desconfiar que seu sangue de origem indígena pode ser a resposta a essa dádiva.
“Deus é quem decide o tempo de cada pessoa”, resume dona Maria, que certamente deve ter caído nas graças do Criador.