Esculturas, pinturas, mobiliário. O
Espírito Santo acaba de receber, em forma de doação, um valioso acervo de arte sacra que vai compor o seu futuro museu temático. A coleção, do casal Maria Helena e Jacques Boulieu, ambos de 95 anos de idade, é formada em sua maior parte por arte imaginária brasileira proveniente de São Paulo, Pernambuco, Bahia, Maranhão e Minas Gerais, além de outros países da América Latina.
Os doadores, ele francês e ela brasileira, moram no
Rio de Janeiro. Quando se casaram, ainda na viagem de lua de mel na Bahia, adquiriram o primeiro item da coleção. Hoje, somam centenas de peças que envolvem culturalmente tradições locais, nacionais e internacionais e que remontam há centenas de anos.
A criação do Museu de Arte Sacra, que está em desenvolvimento pelo Instituto Modus Vivendi, foi um dos motivos da escolha de
Vitória para receber o raro e valioso acervo.
“Uma parte muito importante desta coleção foi destinada pelo casal para o Espírito Santo. São aproximadamente mil peças, sendo que parte delas, 153, já está em Vitória e está sendo catalogada. As demais virão em partes até a montagem do museu que está em processo de aprovação nos órgãos competentes”, explica o conservador restaurador e especialista em arte sacra paulista João Rossi, responsável pela vinda do acervo de arte sacra para o ES.
Restaurador de diversas instituições paulistas, entre elas o Mosteiro de São Bento, João Rossi afirma que este acervo tem grande relevância para a cultura local. Ele ressalta que o Espírito Santo passará, agora, a abrigar também um importante recorte da história da arte sacra nacional e da América Latina.
“O casal expressou grande alegria com este destino para suas peças, pois tinha o desejo de que elas também estivessem presentes em alguma instituição religiosa, apesar de serem um acervo de arte sacra que extrapola o catolicismo. Na verdade, trata-se de uma expressão religiosa católica que vai muito além, no sentido de que o
Brasil é colonizado”, destaca o restaurador.
Rossi disse que, em contato com Erika Kunkel, presidente do Instituto Modus Vivendi, soube da criação do Museu de Arte Sacra do Espírito Santo e, por isso, indicou Vitória como destino de parte da coleção dos colecionadores Maria Helena e Jacques Boulieu. O restante da coleção foi destinado a instituições em outros Estados.