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Ordem de serviço

As ausências sentidas em evento emblemático com Pazolini em Vitória

Desta vez, o microfone não foi arrancado das mãos da vice-prefeita e vereadores mais radicais que apoiam o prefeito não apareceram. À coluna, ele negou ter interferido na votação do Escola sem Partido

Públicado em 

19 mar 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Lorenzo Pazolini discursa na solenidade de assinatura da ordem de serviço para a obra do Centro de Convivência para a Terceira Idade de Jardim Camburi
Lorenzo Pazolini discursa na solenidade de assinatura da ordem de serviço para a obra do Centro de Convivência para a Terceira Idade de Jardim Camburi Crédito: Divulgação
O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), assinou, neste sábado (18), a ordem de serviço para o início das obras do Centro de Convivência para a Terceira Idade (CCTI) de Jardim Camburi.
A solenidade, pela manhã, no terreno em que o centro deve ser erguido, teve um formato tradicional. Tenda, cadeiras plásticas para a plateia, banda de música, secretários municipais e vereadores presentes, discursos protocolares.
Chamou a atenção, contudo, o fato de alguns dos parlamentares da base aliada ao prefeito não terem comparecido. 
Na última quarta-feira (15), quatro vereadores que recebem o carimbo de extrema-direita, embora rechacem o rótulo, foram derrotados na votação do projeto Escola sem Partido na Câmara municipal. Eles são aliados de Pazolini, mas a base rachou nessa questão. 
A maioria dos que apoiam o prefeito preferiu, desta vez, votar com a oposição e barrar a proposta de Davi Esmael (PSD) e Leonardo Monjardim (Patriota). Luiz Emanuel (sem partido) e André Brandino (PSC) ficaram ao lado dos autores dos projetos de lei.
Nenhum deles apareceu no evento em Jardim Camburi. "Queriam aprovar um projeto eleitoreiro. Mas, nós, da base, não poderíamos deixar o prefeito em saia justa", discursou Maurício Leite (PSDB), durante a assinatura da ordem de serviço.
Outra ausência sentida foi a da vice-prefeita, Capitã Estéfane (Patriota). Embora Pazolini tenha dito à coluna, no último dia 23, que procura pacificar a relação com a vice, a própria Estéfane não notou muita mudança.
Os dois há tempos estão afastados politicamente e a capitã pode querer alçar voos próprios nas eleições do ano que vem.
O evento deste sábado foi emblemático, já que, em novembro do ano passado, quando o prefeito lançou o projeto do CCTI em Jardim Camburi, Estéfane tentou discursar, mas Pazolini arrancou o microfone das mãos dela.
O vídeo do momento causou frisson e escancarou as divergências entre os dois. Basicamente, a vice se disse isolada politicamente pelo prefeito.
"Ela é convidada sempre, para todas as agendas. Estéfane é uma querida. Ela tem nos ajudado muito na cidade apresentado demandas e levado os anseios da população. Nós estamos de portas abertas", afirmou o prefeito à coluna, neste sábado.
A capitã, pelo que postou nas redes sociais, participou de um evento evangélico em Guarapari na hora da solenidade da prefeitura.
A coluna não conseguiu contato com ela até a publicação deste texto.
O fato é que a vice-prefeita já se movimenta de olho em 2024. Recebeu até convite para se filiar ao PV, que integra uma federação com PT e PCdoB.
Ela foi eleita em 2020, junto com Pazolini, pelo Republicanos. Mas, como não viu chances de disputar um cargo em 2022 pelo partido, trocou de sigla e agora está no Patriota. Ela concorreu a uma cadeira na Câmara dos Deputados e teve um resultado tímido nas urnas.
A legenda, por sua vez, não está nada contente com o fato de a vice-prefeita ter aceitado conversar com o PV, um partido de esquerda.
O presidente municipal do Patriota é justamente Leonardo Monjardim, que propôs o Escola sem Partido e tenta ser um novo Gilvan da Federal, ex-vereador que virou deputado federal ao levantar as bandeiras mais radicais da direita e abusar de discursos contra a esquerda.
Monjardim, inclusive, pediu explicações à Capitã Estéfane a respeito de suas movimentações políticas.
Se quiser disputar a prefeitura, no PV ela não teria espaço. O nome do deputado federal e ex-prefeito João Coser (PT) já é dado como certo na federação para concorrer ao posto.
Ela pode ser candidata a vereadora. E conversa com outros partidos, pelo que a coluna apurou.
VEREADORES PRESENTES
Neste sábado, estiveram no evento em Jardim Camburi, além de Maurício Leite, que é do bairro e acompanhou de perto o projeto do centro para a terceira idade, os vereadores aliados a Pazolini Luiz Paulo Amorim (SDD) e Chico Hosken (Podemos).
André Moreira (PSol), que faz oposição ao prefeito, também marcou presença e até discursou, assim como os demais. Ele é morador de Jardim Camburi.
O bairro concentra o maior número de eleitores da cidade, cerca de 33 mil.
Pazolini disse que todos os parlamentares municipais foram convidados.
A saia justa a que Maurício Leite se referiu no discurso, caso o Escola sem Partido fosse aprovado pela Câmara, já foi abordada neste espaço.
O prefeito teria que sancionar um texto sabidamente inconstitucional para agradar aos parlamentares e aos eleitores mais radicalizados, desagradando assim aos professores e a parte da população que está mais preocupada com a qualidade da educação e a infraestrutura das escolas do que em censurar os docentes.
Poderia também vetar o projeto e ser alvo da sanha da extrema direita nas redes sociais, acusado de "traidor", uma vez que é um político de centro-direita.
Se lavasse as mãos e deixasse a Câmara promulgar o texto e se ver com o Judiciário depois, devido à inconstitucionalidade, soaria "fraco".
O melhor para o prefeito, portanto, foi a própria Câmara ter rejeitado a ideia.
PAZOLIN DIZ QUE NÃO INTERFERIU
Ao falar pela primeira vez após a votação e o arquivamento do Escola sem Partido, o prefeito garantiu à coluna que não interferiu para o desfecho.
"Não há esse tipo de movimento. Os vereadores que votam com a sua consciência, de acordo com o seu mandato e a representatividade popular na cidade. Foram eleitos democraticamente para isso e exercem o seu mandato em plenitude", afirmou, à coluna, na manhã deste sábado.
A coluna apurou que emissários do prefeito na Câmara, inclusive vereadores aliados, atuaram para que o projeto não fosse aprovado e que Pazolini não ficasse na tal sinuca de bico.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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