Gandini não engrossou as fileiras da oposição, apresentou-se como "independente". Mas, volta e meia confronta o governo em votações no plenário.
Além disso, deu uma guinada ideológica e, apesar de presidir o Cidadania no Espírito Santo, um partido de centro-esquerda, agora se diz de direita.
Essa estratégia não tem tanto a ver com Casagrande e sim com o cálculo pragmático para o pleito do ano que vem. O deputado é um possível candidato à Prefeitura de Vitória e quer conquistar o eleitorado "conservador".
Isso se reflete na Assembleia. Gandini apoiou, por exemplo, um Projeto de Decreto Legislativo proposto pelo oposicionista Callegari (PL) contra o uso de câmeras nos uniformes dos policiais penais, alinhando-se com o que há de mais "conservador" na Casa.
Um aliado do governador avaliou, em recente conversa com a coluna, que
bastaria um "carinho" de Casagrande para com deputados aliados, ou recém-saídos da base, para que eles voltassem a ter uma relação mais profícua com o Executivo.
A primeira manifestação de "carinho" seria, justamente, um tête-à-tête, o que ocorreu nesta quinta. Gandini já reclamou publicamente, inclusive ao falar com a coluna, que o Cidadania foi, de certa forma, jogado para escanteio. O partido, leia-se o próprio deputado, deixou de ser convidado para conversar sobre decisões do governo.
A legenda não está representada no primeiro escalão da gestão estadual. Ao contrário do PSDB, parceiro de federação, que tem o vice-governador e secretário de Desenvolvimento, Ricardo Ferraço.
O Cidadania, a bem da verdade, tem um tamanho menor que o dos tucanos no estado. Já teve duas prefeituras na Grande Vitória – a da própria Capital, com Luciano Rezende, e a de Cariacica, com Juninho. Hoje, não tem nenhuma. E conta com apenas uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Ainda assim, Gandini é um aliado histórico do PSB e de Casagrande. O governador também já externou à coluna que
"as portas estão abertas" para uma reaproximação com o deputado estadual.
Ao mesmo tempo, pelo cenário atual, o PSB e o próprio governador pendem para o lado do também deputado João Coser (PT), outro pretenso candidato ao comando do Executivo da capital do Espírito Santo.
A coluna tentou falar com Gandini, na noite desta quinta, para saber se o encontro com Casagrande vai mudar alguma coisa, na prática, na postura dele na Assembleia.
O parlamentar preferiu fechar-se em copas. Guardou silêncio.