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Prefeituras em disputa

Amaro Neto, Pazolini e os planos do Republicanos para a eleição de 2024

Partido, de acordo com o presidente estadual da legenda, Erick Musso, tem como meta eleger de oito a dez prefeitos no ES. Ele também falou sobre a relação da sigla com o governo Casagrande

Públicado em 

25 fev 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Erick Musso, candidato ao senado pelo Republicanos, é entrevistado pela colunista de A Gazeta, Letícia Gonçalves
Erick Musso em setembro de 2022, quando era candidato ao Senado Crédito: Vitor Jubini
O ex-presidente da Assembleia Legislativa Erick Musso assumiu recentemente a presidência estadual do Republicanos, depois que o então presidente, Roberto Carneiro, foi comandar o partido em São Paulo.
Erick disputou o Senado no ano passado, recebeu 337.642 votos (17,25%) e não foi eleito. O vitorioso foi Magno Malta (PL). 
Agora, o ex-deputado estadual não vai assumir nenhum cargo público. Recebeu convite do prefeito de Vitória, o correligionário Lorenzo Pazolini, mas disse que prefere atuar na iniciativa privada e concluir o curso de Direito, que ficou em suspenso nos últimos anos.
Como dirigente partidário, ele não recebe salário. Os números são de outra espécie: metas. De acordo com Erick Musso, o objetivo do Republicanos é eleger de oito a dez prefeitos em 2024. E 100 vereadores.
Além de Pazolini, a legenda emplacou nove chefes de Executivos municipais em 2020. Hoje, há seis – alguns saíam do partido –, em Iconha, João Neiva, Mimoso do Sul, Linhares, Vitória e Pedro Canário. Este não pode tentar a reeleição, pois já está no segundo mandato consecutivo.   
Pazolini, sim. À coluna, o prefeito da Capital não se disse pré-candidato. É esse o discurso oficial de todo pré-candidato quando faltam quase dois anos para o pleito.
Mas o nome dele é dado como certo nas urnas em 2024.
O partido também tem o deputado federal Amaro Neto que, embora tenha visto o capital político diminuir de 2018 para 2022 – foi de 181.813 votos para 52.375 –, é considerado por Erick como alguém que pode disputar prefeituras de qualquer cidade da Grande Vitória. 
"O domicílio eleitoral dele é na Serra, mas ele mora em Vila Velha. Amaro é um player da Grande Vitória, pode ser candidato em qualquer cidade da Grande Vitória. Teve dez mil votos em Guarapari na eleição passada", destacou o presidente estadual do Republicanos.
Erick Musso frisou, porém, que nem Pazolini nem Amaro manifestaram ao partido se pretendem ou não disputar as eleições do ano que vem. 
Dias atrás, surgiu o rumor de que o deputado estadual Pablo Muribeca (Patriota) havia sido convidado a se filiar ao Republicanos para disputar a Prefeitura da Serra, cidade em que foi vereador.
Tanto Muribeca quanto Erick Musso, porém, negaram à coluna tais tratativas. "É meu amigo, mas nunca tocamos em assunto partidário", afirmou o presidente estadual da legenda.
Erick garantiu apenas que ele mesmo, Erick, não vai concorrer no pleito do ano que vem. Em 2016, o então deputado estadual foi candidato a prefeito de Aracruz, sem sucesso, mesmo contando com o apoio do então governador Paulo Hartung.
O nome da vez do partido é Alcântaro Filho, que começou este mês a exercer o primeiro mandato de deputado estadual. 
"Foi nosso candidato lá (em Aracruz) da vez passada e perdeu por 152 votos. Se ele bater o martelo de ser candidato, terá todo nosso apoio", afirmou o presidente estadual do Republicanos. 
Alcântaro Filho disse à coluna que se dedica ao trabalho na Assembleia e vai decidir sobre a eleição de 2024 somente em 2024.
GOVERNO CASAGRANDE
Antes de disputar o Senado, Erick Musso ensaiou concorrer ao Palácio Anchieta, contrapondo o governador Renato Casagrande (PSB), que foi reeleito.
O Republicanos tem a segunda maior bancada da Assembleia, com quatro parlamentares. O presidente do partido no estado diz que não há orientação para que eles façam oposição, mas tampouco para que integrem a base aliada. 
"Desejamos sorte ao governo. Com o governo indo bem quem ganha é a população"
Erick Musso - Presidente estadual do Republicanos
"Os deputados têm legitimidade para tocar seus mandatos. Grande parte tem feito movimento de votar com o governo, mas o Republicanos não esteve com o govenador na eleição e não compõe o secretariado", pontuou.
O ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli, de camisa branca, desanimado durante convenção do Republicanos
O ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli, de camisa branca, desanimado durante convenção do Republicanos, em julho de 2022 Crédito: Rafael Segatto/Divulgação
A bancada expressiva do Republicanos na Assembleia somente foi possível devido ao desempenho do ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli, que pretendia disputar o Senado, mas foi rifado pelo próprio partido e substituído por Erick. 
Foi o deputado estadual mais votado da história do Espírito Santo, graças, principalmente, à popularidade nas redes sociais.
Meneguelli não ficou contente com a puxada de tapete que sofreu e pode tentar sair do partido, embora não tenha batido o martelo a respeito.
"Ele não tem motivação jurídica para sair do partido. Se insistir, é uma decisão que vai ser levada à Executiva, mas ele não fez nenhum pedido formal", afirmou Erick, ao ser questionado sobre a possibilidade de o Republicanos autorizar a desfiliação. 
"(Meneguelli) tem nosso carinho e respeito. É um líder nato. Faremos todos os esforços para que permaneça no partido. Vai ser convidado a participar do diretório", complementou.
CAPITÃ ESTÉFANE
Por falar em quem pode sair do partido, há a vice-prefeita de Vitória, Capitã Estéfane que, em isolamento político, deixou o Republicanos, pelo qual foi eleita em 2020, e se filiou ao Patriota. 
Pazolini, que busca a "pacificação" na relação com a vice, já afirmou à coluna que as portas do partido estão abertas caso ela queira voltar. Erick Musso disse o mesmo:
"Para toda e qualquer figura que tenha reputação ilibada e possa contribuir, como é o caso da capitã, estamos de portas abertas".
O REPUBLICANOS
O Republicanos que, até 2019, se chamava PRB (Partido Republicano Brasileiro), apresenta-se como "o verdadeiro partido conservador do Brasil". 
A legenda surgiu como braço político da Igreja Universal do Reino de Deus e é presidida por um bispo licenciado da denominação religiosa, o deputado federal Marcos Pereira (SP), embora nem todos os filiados ou mandatários tenham ligação com a Universal.
Nacionalmente, o partido faz parte do Centrão, grupo de siglas fisiológicas que, em troca de cargos ou outras benesses, apoia o governo da ocasião. Integrou, por exemplo, o governo Dilma Rousseff (PT) e também o de Jair Bolsonaro (PL).
"Temos posição de independência (em relação ao governo Lula), mas no que tange às pautas ideológicas e econômicas somos oposição, tendo em vista que somos um partido conservador", afirmou Erick Musso. 
"O governo Lula teve um começo ruim. Hoje, eu seria oposição (ao governo federal). Eu, Erick", destacou.
Nas eleições de 2022, ele não apoiou ninguém no primeiro turno, quando concorria ao Senado.
No Espírito Santo, o Republicanos ganhou notoriedade nos últimos anos, sob a batuta de Roberto Carneiro, aliado de Erick.
"O partido aqui tinha três vereadores e um prefeito. Nenhum deputado federal nem estadual. Fizemos dois estaduais e um federal em 2018. Em 2020, fizemos dez prefeitos, sete vices e quase noventa vereadores. Em 2022, saímos de dois para quatro deputados estaduais e fizemos dois deputados federais, 20% da bancada. Nossa candidatura (ao Senado) teve mais de 300 mil votos. É significativo", elencou Erick Musso. 
Além disso, com Erick, o Republicanos presidiu a Assembleia por seis anos consecutivos. Tem a Prefeitura de Vitória, que é a principal vitrine política do estado, e a presidência da Câmara da Capital, com Leandro Piquet. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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